Um vinho da Síria! (#CBE junho de 2015)

Grand Vin De Syrie 2007

Enfim volto ao blog, por hora só para comparecer na Confraria Brasileira de Enoblogs (#CBE), mas em breve pretendo retornar a postar uma vez por dia ou dia sim, dia não.

Para esse mês de junho de 2015, o confrade Ewerton Cordeiro, do blog Vinhos de Minha Vida, sugeriu que provássemos “um vinho tinto de país que você nunca degustou harmonizado com um prato típico”. Caramba! Eu que gosto de provar tudo de diferente adorei! (Ewerton, vou ficar devendo a harmonização, desculpa, mas deixei uma boa sugestão no final do post).

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Villaggio Grando SB 2013 e Erasmo 2007

Já fazia um tempo que eu e Felipe, do blog BebadoVinho, combinávamos e em seguida desmarcávamos de nos encontrar para derrubar umas garrafas. Há umas duas semanas finalmente conseguimos.

Sugiro a leitura do post do Felipe (confira aqui), que está bem melhor e mais completo que o meu, eu apenas peguei carona no post dele para comentar sobre os dois vinhos que bebemos:

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Villaggio Grando Sauvignon Blanc 2013: varietal de Sauvignon Blanc que com certeza está entre os melhores vinhos nacionais elaborados com essa casta. Na taça apresentou cor amarelo esverdeado. No nariz era intenso e agradável, lembrando frutas cítricas, ervas frescas, algo floral e um interessante toque defumado. Na boca tinha médio corpo e ótima acidez, proporcionando muita refrescância e chamando comida, embora também seja um vinho bem fácil de beber só com conversa. No paladar era cítrico e apresentava deliciosa mineralidade, a persistência era muito boa.

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La Reserva de Caliboro Erasmo 2007: interessante corte entre Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Cabernet Franc (10%). Na taça tinha cor vermelho rubi bem vivo, com belas lágrimas e um leve halo. No nariz era complexo e intenso, sugeria ameixa, chocolate, menta, tostado, pimenta do reino e algo balsâmico. Na boca era encorpado, tinha potência, mas sem ser muito pesado, com ótima acidez,  taninos fortes e macios. Persistência longa. Não é um vinho chileno “clássico”, principalmente por não ser daquele estilo “geleião”. Com certeza tinha potencial de envelhecer mais uns anos em garrafa.

Em resumo, dois vinhos de ótimo custo benefício, que estão mais que recomendados.

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Resumo do vinho:

Nome: Villaggio Grando Sauvignon Blanc / La Reserva de Caliboro Erasmo

Vinícola: Villaggio Grando / La Reserva de Caliboro

Região: Vale do Contestado, Santa Catarina, Brasil / Vale de Maule, Chile

Teor alcoólico: não anotei

Safra: 2013 / 2007

Uva: Sauvignon Blanc / Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Cabernet Franc (10%)

Preço: R$ 40,00 / vinho do Felipe (foi menos de 100 reais)

Comprado em (mês/ano): vinícola (03/14) / vinho do Felipe

Importador: vinho nacional / Franco Suissa

Bebido com (data): Felipe (27/06/2014)

Nota: ambos 4 em 5 pontos.

Gaia Estate Thalassitis Oak Fermented 2007

Gaia Thalassitis

Vinho digno de pegadinha pra cima do Cesar da Mondovino e foi utilizado exatamente com esse propósito. Eu trouxe ele de minha visita a Gaia em Santorini e estava com medo de ele não aguentar mais muito tempo guardado, queria bebê-lo logo. Como já falei da vinícola aqui no blog, vou direto ao vinho:

Na taça bela cor dourado pálido, bem límpido e transparente.

No nariz era diferente e interessante, com boa complexidade sugerindo damasco seco, compota de laranja, amêndoas e algo mineral.

Na boca tinha bom volume, muita mineralidade e acidez ainda bastante presente, mantendo grande frescor, tudo que se espera de um Assyrtiko de Santorini, mesmo com quase 7 anos de idade. No paladar chegava a deixar uma sensação meio salgada, era bem mineral, com algo cítrico, talvez de laranja. A persistência era longa e a evolução na taça foi excelente.

Eu tinha provado esse vinho quando visitei a Gaia de duas safras uma era 2012 e a outra esse 2007, me impressionei como ele encarou bem o tempo e trouxe essa garrafa. Não sei se continuaria evoluindo, talvez sim, mas estava tão bom bebê-lo, que realmente não faria sentido esperar mais!

OBS: esse vinho foi apresentado às cegas e o Cesar não acertou do que se tratava (Aha!).

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Resumo do vinho:

Nome: Gaia Estate Thalassitis Oak Fermented

Vinícola: Gaia Estate

Região: Santorini, Grécia

Teor alcoólico: 13,5%

Safra: 2007

Uva: Assyrtiko

Preço: não lembro ao certo, em torno de uns € 15,00

Comprado em (mês/ano): na própria vinícola (08/13)

Importador: a Mistral traz os vinhos da Gaia para o Brasil

Bebido com (data): Patrícia, Cesar e Dardeau (02/04/2014)

Nota: 4,5 em 5 pontos.

Vilmar Bettú Tannat / Ancellotta 2007

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Depois do Dafni (vinho comentado no post anterior) o Dardeau escolheu um vinho tinto para bebermos. Me pegou de surpresa com esse Bettú.

Vilmar Bettú cultiva uvas e produz vinhos em Garibaldi, Rio Grande do Sul, sendo cultuado por sua produção artesanal e tido por muitos como o melhor produtor brasileiro de vinhos. Há muito escrito na internet sobre ele e seus vinhos, como não sou grande conhecedor nem de um, nem do outro, vou evitar de chover no molhado e escrever muito aqui. Quem ficar curioso basta procurar pelo nome “Vilmar Bettú” em sites de busca.

Quanto ao vinho, esse sim não posso deixar de comentar! Minhas impressões foram as seguintes:

Na taça era rubi escuro, com discreto halo de evolução, límpido e pouco transparente.

Os aromas eram intensos e complexos, lembrando ameixa, violeta, manjericão, café e noz moscada.

Na boca tinha potência e estrutura, nem parecia um vinho com quase 7 anos. Encorpado, com acidez bem presente, taninos fortes e agradáveis. O paladar era bem frutado, com um gostoso apimentado, lembrando também café e chocolate. A persistência era longa e a evolução na taça incrível.

Foi o segundo vinho do Bettú que bebi e novamente esse me impressionou sendo um vinho bastante peculiar e interessante.

Dardeau, obrigado pelo vinho, pela pizza e principalmente por sua atenção e pelas valiosas dicas!

Resumo do vinho:

Nome: Vilmar Bettú Tannat / Ancellotta

Vinícola: Vilmar Bettú

Região: Garibaldi, Serra Gaúcha – RS , Brasil

Teor alcoólico: 13,9%

Safra: 2007

Uva: Tannat e Ancellotta

Preço: não sei

Comprado em (mês/ano): Mondovino (01/14)

Bebido com (data): Patrícia, Dardeau e Denise (15/01/2014)

Nota: 4,5 em 5 pontos.

Dia mundial da pizza (#CBE): Pizzato Fausto Merlot 2007

Fausto Merlot

A Pizzato é uma das minhas vinícolas brasileiras preferidas, gosto de seus vinhos, em geral de ótimo custo-benefício. No entanto, não tenho aqui no blog nenhum vinho deles postado. Bem, chegou a hora!

O estimulo deste post partiu da Confraria Brasileira de Enoblogs (#CBE), por sugestão do confrade Cristiano Orlandi do blog Vivendo Vinhos, em comemoração ao Dia Mundial da Pizza, que desde de 1985 ocorre no dia 10 de julho, foi lançado o desafio de celebrarmos o dia harmonizando um vinho com pizza.

Dessa forma,  abrimos esse vinho para harmonizar com pizza, tínhamos dois sabores, ambas da Fiammeta, famosa pizzaria aqui do Rio. Uma era a pizza que leva o nome da casa, Fiammeta, que contém mozarela, molho de tomate italiano e linguiça calabresa especial, finalizada ao sair do forno com cebolinhas confitadas e pimenta de bico. A outra recebe o nome de tutti funghi, contendo mozarela, molho de tomate italiano e cogumelos variados: funghi Paris, shitake, shimeji e hiratake.

Não sou muito entendido do assunto harmonização, mas considerando a data especial, vou me dar meus pitacos, dentro de minhas limitações. Farei assim, comentarei primeiro o vinho e depois como ele casou com as duas opções de pizza.

Na taça coloração rubi escuro, com reflexo um tanto pálido, pouca transparência e bem límpido.

No nariz é intenso apresentando notas de frutas (cereja), rosas, tostado e um leve vegetal. O álcool aparece um tanto em excesso.

Na boca é intenso, médio corpo, taninos firmes, acidez um tanto excessiva (e olha que eu gosto de vinho ácido), a persistência é boa e o final de boca deixa um certo amargor. Ou seja, vinho desequilibrado, mas nada impossível de ser bebido. Já tinha bebido esse vinho antes (de outra safra) e não me lembrava dele dessa forma, pode ter sido a garrafa. Com a pizza ele melhorou um pouco.

Quanto a harmonização, eu diria que foi melhor com a pizza de calabresa (Fiammeta, os ingrediente estão descritos acima), a de cogumelos acentuou a acidez do vinho, bem como o amargor no final de boca.

Eu que sou tão entusiasta da Pizzato, não gostei do vinho, nem a Patrícia, podíamos ter aberto algo melhor. Mas a pizza tava tão boa! Viva o dia mundial da pizza!

Outros blogs que comentaram esse vinho (safra): Vinícolas e Vinhedos (2006), Vinho por Marcelo Andrade (2007), Avaliador de Vinhos (2005) e Notas Etílicas (2005).

Resumo do vinho:

Nome: Pizzato Fausto Merlot

Vinícola: Pizzato

Região: Dois Lajeados, Serra Gaúcha – RS , Brasil

Teor alcoólico: 13,7%

Safra: 2007

Uva: Merlot

Preço: 10,99 (em promoção, o preço normal gira em torno de R$ 30,00)

Comprado em (mês/ano): Makro (05/13)

Bebido com (data): Patrícia (10/07/2013)

Nota: 79/100

#CBE / Do Marrocos: Thalvin – Alain Grillot Syrocco Syrah 2007

Syrocco

Meu segundo post na #CBE e já cometi um deslize… Estive viajando e acabei não conseguindo postar (e nem beber) o vinho na data certa. Peço mil desculpas aos meus confrades virtuais.

O tema desse mês na #CBE foi um Shiraz / Syrah de qualquer lugar do mundo até R$ 100,00. Como eu já comentei no post anterior, havia comprado outro vinho para minha postagem, o Primeira Estrada Syrah 2010 (comentado aqui). Acabei mudando de ideia  quando me deparei com esse vinho marroquino, que eu já estava querendo provar a algum tempo, mas o preço, um tanto salgado, me manteve afastado dele. Aproveitei a ocasião do tema da #CBE, para gastar um pouco mais do que tenho costume e postar algo bem interessante.

Por menos que ouvimos falar e que vemos nas prateleiras, historicamente, vinhos são produzidos no Marrocos desde a época da dominação romana, ou talvez até antes, já que há indícios de que os Fenícios foram os responsáveis por introduzir a vinha no país. É comum associarmos o Marrocos à desertos e climas incompatíveis com a produção de bons vinhos, no entanto, devido ao relevo montanhoso e influência do Oceano Atlântico, o país possui algumas regiões com ótimas condições para vitivinicultura. Acontece que, depois da queda do Império Romano, o país foi dominado por povos islâmicos (como outros na região mediterrânea do Norte África, Argélia e Tunísia principalmente) e como a religião não permite o consumo de álcool, os vinhedos foram abandonados ou substituídos por outras culturas. Na época em que foi protetorado francês (1912-1956) foi introduzida a vinicultura em larga escala no Marrocos. Com a independência do país, novamente os preceitos islâmicos pesaram sobre a vinicultura, que entrou em decadência, chegando a ocorrer remoção de vinhedos pelo governo. Mais recentemente (partir da década de 1990), abrandado pelos tempos modernos, o país vem aumentado sua produção a partir de investimentos estrangeiros (principalmente franceses).

Sobre o vinho em específico, não consegui encontrar muita coisa, acredito não poder acrescentar nada além do que colegas de outros blogs e sites já comentaram, conforme pode ser conferido nos post citados ao final das minhas impressões sobre o vinho.

Na taça coloração rubi escuro, com reflexo alaranjado, transparente e límpido. A coloração e algum sedimento depositado no fundo da garrafa demonstravam evolução do vinho. Acredito que por achar na internet comentários (em blogs gringos) da safra 2009, pelo preço e por ser um rótulo um tanto desconhecido, essa garrafa deve ter ficado pelo menos uns dois anos na prateleira da loja antes de “nos encontrarmos”. Como o vinho estava guardado na posição certa e em boas condições de ambiente, ele envelheceu muito bem na garrafa, acredito que esteja em seu auge ou perto dele. Ah! Antes que eu esqueça, essa era a última garrafa!

Aromas bem agradáveis, intensos e de certa complexidade, remetendo a frutas (frescas – cereja / secas – passas e ameixa), noz moscada, pimenta do reino, tabaco e tostado.

Na boca é bem redondinho (equilibrado), intenso, médio corpo a encorpado, taninos finíssimos, a acidez se faz bem presente e agradável. A madeira se encontra muito bem integrada ao conjunto do vinho, que confirma os aromas no paladar, apresenta boa persistência e final de boca com uma certa doçura, tornando o vinho extremamente agradável e fácil de beber. A evolução do vinho após aberto foi fantástica! Terminamos com a garrafa mais ou menos 2 a 3 horas depois de abrir e o vinho ainda estava evoluindo.

Nunca havia bebido um vinho do Marrocos. Gostei bastante da experiência. Como adoro fazer comparações, em estilo, me pareceu com os vinhos tintos da Sicília, ainda mais considerando que diversos levam Syrah no corte. É bom, interessante, mas pelo preço encontra-se vinhos melhores. Assim como o Syrah mineiro, recomendo, vale a experiência de beber um vinho de uma região diferente!

Blogs e sites que já beberam esse vinho (safra): Enoteca (2007), Vivendo a Vida (2005), MondoVinho (2008), Antica Osteria Marino (2005).

Resumo do vinho:

Nome: Thalvin – Alain Grillot Syrocco Syrah

Vinícola: Thalvin (Domaine des Ouleb Thaleb) – Alain Graillot

Região: Zenata, Marrocos

Teor alcoólico: 13,5%

Safra: 2007

Uva: Syrah

Preço: R$ 86,00

Comprado em (mês/ano): Lidador Barra Shopping (05/13)

Importador: World Wine

Bebido com (data):  Patrícia (03/06/2013)

Nota: 89/100.