Carmelo Patti Cabernet Sauvignon 2005

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Cumprindo com o prometido! Inicio de fato minha volta ao blog com o meu primeiro vinho da semana!

Uma das minhas grandes críticas aos vinhos sul americanos de topo de gama – o que vale mais para Chile, Argentina e Uruguai – é que eles chegam ao mercado ainda jovens, duros, longe de estarem prontos para beber. Isso salvo raras exceções, como os vinhos do Carmelo Patti.

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RIP Serge Hochar: Château Musar Branco 2005

Musar W 2005

Fiquei sabendo ontem da morte de Serge Hochar, grande ícone do setor vinícola libanês e responsável pelo estilo e consequente fama dos vinhos produzidos pelo Château Musar. Por diversas vezes já comentei aqui no blog que os vinhos do Musar estão entre os meus preferidos, principalmente o Château branco, elaborado com duas uvas nativas do Líbano, Obaideh e Merwah.

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Vilmar Bettú Merlot CG 2005

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Até esse vinho tudo que eu tinha bebido do Bettú me pareceu ter alguma aresta. Todos foram vinhos interessantes e bem diferentes, mas sempre me pareceu sobrar ou faltar alguma coisa. Até esse:

Na taça cor vermelho rubi, com belo halo de evolução e presença de borras.

No nariz boa complexidade sugerindo amora, ameixa, hortelã, chocolate e pimenta do reino, isso além do álcool sobrando um pouquinho, típico da Merlot.

Na boca envolvia com sua potência, estrutura e maciez. Era um vinho encorpado, com gostosa acidez, taninos fortes, mas muito agradáveis. Paladar bastante frutado, também com presença de especiarias e algo vegetal. Boa evolução na taça e persistência muito boa. Com 9 anos mostrou que já está macio e prazeroso de ser bebido, mas também mostrou que pode aguentar mais tempo.

Demorei a acreditar que esse vinho era brasileiro. Nunca tinha bebido um vinho nacional com essa estrutura. Perguntei algumas vezes ao Cesar se ele tinha colocado no decanter um vinho de outro lugar e estava fazendo uma pegadinha. Ele disse que não. Tive que dar o braço a torcer, nesse vinho o Bettú acertou em cheio! Ainda acho o preço dos vinhos do Bettú bem altos, mas é aquilo, considerando o estilo e tamanho da produção, não há muito como ser diferente. Eu diria que vale a pena pagar uma vez e conhecer, depois cada um que julgue se vale ou não repetir a dose.

Cabe dizer que a safra 2005 é considerada por muitos como a melhor dos últimos 10 anos (talvez a melhor da história de nossa recente vitivinicultura) no Rio Grande do Sul, em especial na Serra Gaúcha. Até agora tudo que bebi dela me confirma isso e esse vinho veio para fortalecer essa impressão.

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Resumo do vinho:

Nome: Vilmar Bettú Merlot CG 2005

Vinícola: Vilmar Bettú

Região: Garibaldi, Rio Grande do Sul

Teor alcoólico: 14,6%

Safra: 2005

Uva: Merlot

Preço: não sei

Comprado em (mês/ano): não sei

Bebido com (data): Rogério, Cesar, Dardeau e outros (para não arriscar esquecer alguém) (28/03/2014)

Nota: 5 em 5 pontos.

Milantino Merlot 2005

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Comprei esse vinho há algum tempo no supermercado Makro, me chamou atenção por ser da safra 2005, reputada como uma das melhores que a Serra Gaúcha já teve. Comprei 3 garrafas, bebi uma, guardei as outras duas e esqueci delas! Revirando as garrafas que tenho guardadas aqui em casa achei elas e decidi beber essa.

Na taça era rubi claro, com halo grená bastante visível.

O nariz tinha certa complexidade e me lembrava cereja, ameixa, chocolate, tabaco, um leve vegetal e aquele álcool perceptível característico da Merlot, que não incomodava.

Na boca estava bem macio, ainda tinha boa acidez e os taninos bem finos. Já não tinha mais estrutura, faltava corpo na boca, onde o tempo foi menos generoso que no nariz. O paladar remetia as notas do nariz. A persistência era boa e a evolução na taça foi bem interessante.

Lembro que a garrafa que bebi antes, acho que há uns dois anos atrás, me pareceu aguentar mais um tempo e não me pareceu nada de especial. Nesse agora o vinho estava bem interessante, já em declínio, mas interessante. Não sei se guardo até ano que vem a outra garrafa que tenho, para bebê-la com 10 anos, ou se abro logo agora.

Interessante é que no site da vinícola essa safra 2005 ainda está sendo comercializada e o vinho tá saindo por R$ 25,00. Por esse preço vale a curiosidade de beber um Merlot brasileiro em idade avançada, o problema é que a vinícola só comercializa a caixa fechada (com 6 garrafas) e como o vinho está em declínio…

Resumo do vinho:

Nome: Milantino Merlot

Vinícola: Milantino

Região: Serra Gaúcha – RS , Brasil

Teor alcoólico: 12,8%

Safra: 2005

Uva: Merlot

Preço: não lembro (foi menos de 30 reais)

Comprado em (mês/ano): Makro (não lembro)

Bebido com (data): Alexandre (31/01/2014)

Nota: 3 em 5 pontos.

Mais um brasileiro: Dezem Atmo Merlot 2005

Dezem Atmo Merlot

Essa foi a garrafa que faltava ser comentada entre as que eu ganhei no final do Circuito Brasileiro de Degustação (comentado aqui).

A segunda boa surpresa, em relação a vinhos, vinda do Brasil que posto aqui no blog esse ano.

Quando ouvi falar sobre a vinícola Dezem, torci o nariz, não conseguia acreditar ser possível produzir vinhos de qualidade no chuvoso estado do Paraná. Para complicar mais um pouco, em Toledo, perto de Foz do Iguaçu, onde chove bem e durante o ano todo. Verdade que tem boa amplitude térmica entre dia e noite, solos profundos e bem drenados, mas com essa quantidade de chuva como eles conseguem maturação ideal das uvas?

Depois de provar os vinhos no Circuito Brasileiro de Degustação então… Aí é que não sei mesmo o que dizer! Não é que eles são bons! E bem característicos, diferentes dos brasileiros de outras regiões. Eu que adoro uma comparação, não consegui achar um paralelo muito claro com vinhos de nenhum outro lugar do mundo.

Como explicar a qualidade desses vinhos produzidos em local, ao meu ver, tão inusitado? Não sei. Não tenho conhecimento suficiente para explicar. De acordo com o meu entendimento, pelas suas características, o local deveria ser considerado inapto para vitivinicultura. Andei pesquisando explicações, li sobre os solos (a famosa terra roxa estruturada), sobre o clima (temperatura, precipitação, umidade relativa do ar ao longo do ano), até sobre a vegetação natural do local e com meus conhecimentos na área agrária, estimaria que a ótima capacidade de drenagem do solo, aliada aos veranicos (pequenos períodos de estiagem e calor forte durante a estação chuvosa ou verão) que são muito comuns na região, permitem a boa maturação das uvas, apesar da alta precipitação. Meu melhor chute é esse.

Mas isso é o de menos, o que interessa mesmo é que os vinhos são bons!

Quanto ao vinho, na taça apresentou coloração rubi já com reflexos alaranjados, se mostrando transparente e límpido, formando belas lágrimas.

Os aromas de boa intensidade e complexidade remetiam a notas de frutas (não identifiquei muito bem qual), rosas, pimenta do reino, couro, baunilha e um toque vegetal.

Na boca é bastante equilibrado e complexo. A acidez se faz bem presente, os taninos são finos e muito agradáveis, nesse vinho de médio corpo, boa intensidade e persistência. Tanto no nariz quanto na boca demonstra sua idade, a madeira em harmonia com o restante do vinho e um estilo próprio. Não sei dizer se o vinho está em seu auge, ou se continuará ganhando com mais tempo de guarda, mas sei dizer que agora ele está muito bom!

Resumo do vinho:

Nome: Dezem Atmo Merlot

Vinícola: Dezem

Região: Toledo – PR, Brasil

Teor alcoólico: 13%

Safra: 2005

Uva: Merlot

Preço: ganhei uma garrafa aberta no Circuito Brasileiro de Degustação (custa entre 40 e 50 reais)

Comprado em (mês/ano): ganhei uma garrafa aberta no Circuito Brasileiro de Degustação

Bebido com (data): Alexandre (07/07/2013)

Nota: 89/100

#CBE: Miolo Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005

Castas Portuguesas

Mais uma vez me atrasei para o post da #CBE. Notem que bebi o vinho no dia certo, mas só tive tempo de escrever e postar hoje, então creio que possa ser considerado como um meio atraso. Como desculpa posso dizer que tardo, mas pelo menos não falho!

O tema desse mês foi escolhido pelos confrades Claudio Werneck e Rafaela Giordano do blog  Le Vin au Blog e era “um vinho especial de sua adega que já esteja pronto para ser aberto”. O desapego para mim não é tarefa fácil (imagino que para outros enófilos também não), pois como parte de meu constante aprendizado, todas garrafas que eu guardo tem planos de serem bebidas após um intervalo que eu, sem muita base, estipulei após provar o vinho. Exemplo: tenho guardada uma garrafa de Chateau Kefraya Le Comte de M 2006, vinho que provei em 2010 e imaginei que seria interessante bebê-lo com dez anos em 2016. Acredito que ele, assim como outros que guardo, já estão prontos para serem bebidos, talvez não no auge, mas prontos, sim. O negócio é que para bebê-los tem todo um planejamento. Depois de muito tempo consegui desapegar dessa garrafa de Miolo Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005, que eu pretendia beber em 2015, com dez anos.

Já bebi desse vinho outras vezes, nunca essa safra 2005, e ele me agrada muito, sendo sempre bem prazeroso no geral. Mas, pelas safras que bebi, não acho que seja um vinho para guardar uns dez anos. Se eu não havia bebido essa safra e considerando que as safras que já bebi desse vinho não me deram motivos para acreditar que ele ganharia com 8 anos de guarda, por que guardei essa garrafa? Resposta simples, a safra de 2005 é até hoje ilustrada como uma das melhores (senão a melhor) safras da história de nossa recente vitivinicultura. Então, sempre que vejo algum vinho brasileiro dessa safra por um preço razoável eu compro. Esse foi um dos poucos que cruzou meu caminho, por isso estava guardadinho, sem que eu fizesse muita ideia do que esperar dele.

O Fortaleza do Seival Castas Portuguesas é elaborado pela Miolo a partir de uvas cultivadas na região da Campanha Gaúcha, leva esse nome por ser elaborado com variedades de uvas comumente utilizadas para produção de vinhos em Portugal, sendo portanto um vinho inusitado, considerando os padrões brasileiros, onde reinam as castas francesas. Hoje o vinho é composto pelo corte de apenas duas uvas, Touriga Nacional e Tinta Roriz (um nome alternativo da Tempranillo) em proporções iguais. Mas, pelo que eu pude averiguar, até essa safra de 2005 ele levava também a Alfrocheiro, que foi retirada do corte pela Miolo a partir da safra 2006.

Na taça já eram notáveis os sinais da idade do vinho, que apresentou coloração rubi escuro com reflexos alaranjados, límpido até o final da garrafa, onde foi possível verificar deposição de sedimentos e o vinho ficou um pouco turvo.

No nariz o vinho demonstra seu tempo de guarda, bem como que ainda está vivo, com elegância, boa intensidade e complexidade. Notas de frutas (ameixa), tomate (achei estranho, mas realmente senti um cheiro de tomate fresco no vinho, enfim, posso estar viajando), noz moscada, pimenta, tabaco, couro e um floral lembrando rosas.

Na boca é elegante assim como seus aromas, os taninos são suaves e muito agradáveis, a acidez ainda bem presente e apimentada, neste vinho com médio corpo, álcool adequado, boa intensidade e persistência razoável, ficando na boca um pouquinho menos do que eu gostaria e esperava. No final de boca foi possível sentir um leve amargor, que não chega a incomodar, sendo bem amenizado pelo conjunto do vinho. A evolução na taça foi espetacular, assim que aberto estava um pouco fechado, depois de duas horas ficou ótimo, pena que nesse ponto ele já estava terminando.

Não tenho muita base para falar sobre envelhecimento de vinhos, ainda me falta muita experiência, mas creio que esse esteja no ponto certo de ser bebido, talvez se esperasse mais dois anos encontraria algo menos prazeroso do que hoje. Se alguém ainda tiver alguma garrafa dessa safra, recomendo abrir e peço que me conte o que achou. Seria possível guardá-lo por mais tempo?

Diversos blogs comentaram sobre esse vinho, alguns deles são confrades da #CBE (safra): Vinho, por favor! (2008), Blog do Jeriel (2008), Vinhos de Corte (2006), Além do Vinho (2008), Agenda de Vinhos (2008), Vivendo Vinhos (2005) e Falando de Vinhos (2005).

Resumo do vinho:

Nome: Miolo Quinta do Seival Castas Portuguesas

Vinícola: Miolo

Região: Campanha Gaúcha – RS, Brasil

Teor alcoólico: 13,5%

Safra: 2005

Uva: 1/3 Touriga Nacional, 1/3 Tinta Roriz (Tempranillo) e 1/3 Alfrocheiro

Preço: não lembro (mas imagino que entre uns 50 a 60 reais)

Comprado em (mês/ano): não lembro

Bebido com (data): Patrícia (01/07/2013)

Nota: 89/100