Viagem ao Peru: panorama geral sobre o vinho e enoturismo

Bandeira Peru

Em janeiro deste ano viajei ao Peru e, como estive bem ocupado, passei todo esse tempo sem escrever sobre a viagem. Desde abril que não tenho conseguido dedicar ao blog a atenção que sempre tive e gostaria de continuar tendo. Agora, ao voltar a escrever, decidi priorizar os posts mais longos que eu tinha em fila, exatamente aqueles sobre viagens.

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Panorama Geral: Vinhos e Enoturismo em Santa Catarina

Bandeiras Estados do Brasil

Explicando minha ausência no blog, durante o carnaval eu e Patrícia viajamos de carro do Rio de Janeiro até Santa Catarina. O foco da viagem foi o enoturismo, visitamos algumas vinícolas que em breve estarei comentando aqui no blog.

Como sempre gosto de fazer ao comentar minhas viagens vou escrever esse post com o panorama geral da região, seus vinhos e o funcionamento do enoturismo.

O estado de Santa Catarina hoje possui cultura vitivinícola em pelo menos duas regiões distintas, o Vale do Contestado e a Serra Catarinense, ambas com a grande maioria dos vinhedos localizados em altitudes acima dos 1000 metros em relação ao nível do mar, sendo o Vale do Contestado uma região com clima de influência mais continental em relação a Serra Catarinense, onde existe maior influência do Atlântico. Além de diferenças entre os solos das duas regiões, onde os da Serra Catarinense em geral são menos intemperizados e portanto mais pedregosos em relação aos do Vale do Contestado.  Nem preciso dizer que isso reflete em certa diferença nos vinhos dessas duas regiões. Abaixo reproduzo um mapa da ACAVITIS (Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude) com a localização de todas as vinícolas do estado.

Mapa Acavitis

Visitamos as duas regiões e embora elas não possuam grande estrutura focada no enoturismo, em ambas existem vinícolas muito bem preparadas para receber visitantes e que fazem valer a pena o passeio. Na maioria das vinícolas é necessário agendar a visitação, sendo também indicado tomar instruções prévias a respeito do acesso, tendo em vista que o sinal de celular é em geral ruim em ambas regiões e nas estradas não há muita sinalização de como chegar até as vinícolas.

Quanto as vinícolas é bastante interessante notar uma característica comum a grande parte delas, várias nasceram dos sonhos de empresários bem sucedidos em outros ramos e que por razões diversas – paixão pelo vinho, identidade familiar com a bebida, diversificação de atividades – resolveram investir na produção de vinhos de qualidade. Sendo assim, observa-se na região gente disposta e competente (afinal tiveram sucesso em suas vidas profissionais) investindo pesado, de forma financeira e emocional, na produção de vinhos com a maior qualidade possível.

Paisagem agrícola comum no Vale do Contestado

Paisagem agrícola comum no Vale do Contestado

Sobre os vinhos, me animaram muito os brancos, principalmente aqueles elaborados com a Sauvignon Blanc. Os Chardonnay, barricados ou não, também merecem destaque, isso além de um ou outro vinho que provei de castas diferentes. Em toda vinícola que visitava eu fazia a mesma pergunta: ” Por que não se investe mais na produção de brancos?” “Por que não se experimenta castas diferentes como Gerwuztraminer, Riesling, etc? A resposta variava, mas não muito, tendendo para o fato de que é muito mais difícil comercializar vinhos brancos do que tintos. Isso num país com o nosso clima, muito mais propício ao consumo de brancos. Vai entender?

Vinhedos da Villaggio Bassetti em São Joaquim, Serra Catarinense

Vinhedos da Villaggio Bassetti em São Joaquim, Serra Catarinense

Os tintos de Santa Catarina tem caráter próprio, possuem charme, são mais aromáticos que o padrão e muito instigantes no nariz, mas na boca, de modo geral, não me empolgaram tanto. Além disso, eles estão muito limitados ao “Cabernet-Merlot”. No entanto, provei alguns ótimos e bem interessantes exemplares, os quais me animaram e me fizeram acreditar que a região tem potencial para oferecer muito mais. Afinal, o grande desenvolvimento da vitivinicultura em Santa Catarina se deu de 10 anos para cá.

Vinhedos da Santa Augusta em Videira, Vale do Contestado

Vinhedos da Santa Augusta em Videira, Vale do Contestado

Embora o tempo curto de viagem e o cronograma apertado de visitas não nos tenha permitido curtir muitos outros aspectos turísticos, além de vinícolas e paisagens, há muito o que se ver no interior de Santa Catarina. Vale a pena uma viagem com mais tempo e calma, o que planejo fazer no futuro.

Alguns bons sites que usei como referência para planejar a viagem e conhecer melhor os vinhos e a região:

ACAVITIS (http://www.acavitis.com.br/) – site da Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude, possui informações sobre o estado, vinícolas, dentre outras coisas.

Vinhos de Santa Catarina (https://vinhosdesantacatarina.wordpress.com/)  –  blog como muita informação sobre a vitivinicultura e o enoturismo no estado de Santa Catarina.

Destino SC (http://destinosc.com.br/) – além de roteiros sobre o enoturismo, dispõe de dicas de viagem para todas as regiões de Santa Catarina e para diversos tipos de turismo. Além de dicas de bares e restaurantes.

Vinhos Brasileiros por Rogerio Dardeau (https://www.facebook.com/pages/Vinhos-Brasileiros-por-Rogerio-Dardeau/) – fã page do facebook dedicada a promover os vinhos brasileiros. Contém comentários sobre diversos vinhos e vinícolas de Santa Catarina.

Obs: durante dez dias estarei tomando antibiótico e impossibilitado de beber, estarei postando sobre vinhos que bebi e ainda não comentei e sobre as vinícolas visitadas em Santa Catarina. Também ando planejando começar a ir um pouco mais além dos meus usuais comentários sobre vinhos, quem sabe essa não é uma boa oportunidade.

Líbano e seus vinhos: panorama geral e atual

Líbano

Estive ocupado e sem muito tempo de finalizar as postagens sobre o restante de minha viagem, de pouco a pouco vou postando o que ainda falta (ainda tenho algumas coisa que gostaria de falar sobre a Grécia e das vinícolas que visitei no Líbano).

Como o post sugere, o outro país que visitei foi o Líbano. Por que visitar o Líbano? Acredito que parte dos leitores devem estar se perguntando. Para mim, faz mais sentido a pergunta inversa: como não visitar o Líbano? Paisagens belíssimas, gastronomia singular e deliciosa, ótimos vinhos, muita história, cultura interessante e por aí vai. Além disso, tenho família no Líbano, meus avôs por parte de mãe ambos são libaneses.

Cedros de Deus, floresta protegida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade

Cedros de Deus, floresta protegida pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade

Quanto ao vinho, o Líbano possui uma longa história na produção da bebida. Estima-se que o vinho tenha surgido na região do Cáucaso, mas sabe-se que os Fenícios foram os primeiros a produzir vinhos visando a comercialização, o que difundiu a bebida e a videira por toda região do Mediterrâneo. Considerando que grande parte das mais importantes cidades Fenícias (Sydon, Tyre, Byblos e outras) se encontravam onde hoje situa-se o Líbano, fica clara a importância do país na história do vinho e sua aptidão para a elaboração da bebida.

Atualmente o Líbano possui cerca de 40 vinícolas que produzem 8 milhões de garrafas de vinhos por ano, das quais 40% são exportadas. Embora a produção de vinhos no país tenha crescido bastante nos últimos 20 anos, a industria vinícola enfrenta alguns dilemas para sua expansão. Com um consumo per capita baixo (1 litro por habitante por ano), uma grande população muçulmana que por motivos religiosos não pode consumir bebidas alcoólicas e uma população cristã que não tem muito costume de beber vinhos, para crescer, a industria vinícola libanesa precisa investir na exportação e divulgação de seus vinhos mundo afora. Tirando os “grandes Chateaus” (Musar, Kefraya e Ksara) a maior parte dos produtores libaneses são pouco conhecidos dentro e fora de seu país, além disso o vinho libanês é visto ao redor do mundo muito mais como um produto exótico, do que como o produto de qualidade que ele realmente é.

Vinhedos no Vale de Bekaa

Vinhedos no Vale de Bekaa

O Líbano hoje produz vinhos além da tradicional região do Vale de Bekaa. Tive a oportunidade de rodar brevemente pela “Rota de Vinhos de Batroun” criada para promover o enoturismo na região e acredito ser de grande valor escrever um breve panorama das diferentes regiões produtoras existentes hoje no Líbano, que lhes apresento abaixo:

A tradicional região do Vale de Bekaa tem em Baalbek, mais especificamente no bem preservado Templo de Baco, uma prova irrefutável de sua aptidão para vinicultura e de sua importância na produção da bebida durante os tempos da dominação Romana, demonstrando que a cultura do vinho nessa terra já dura por mais de 2000 anos. Essa é hoje a maior e mais importante região produtora de vinhos do Líbano, onde estão situados os vinhedos dos mundialmente conhecidos Chateau Musar, Kefraya e Ksara, além de muitos outros produtores. Quando visitei o Líbano em 2010 fui a 4 vinícolas nessa região e todas elas tinham boas instalações para receber turistas. Infelizmente, com o conflito na Síria, o Vale de Beeka se tornou uma região relativamente perigosa, por vários fatores como a grande quantidade de refugiados que tem abrigado, a proximidade com a Síria e o fato de diversas cidades serem dominadas pelo Hezbollah, que tem mantido sua atenção redobrada por causa de toda situação. Tirando a região de Zahlé e imediações, onde a população é majoritariamente cristã, no momento não é recomendado se aventurar por essa região (mais informações no sítio do Consulado-Geral do Brasil em Beirut).

O Templo de Baco em Baalbek

O Templo de Baco em Baalbek

A segunda maior região produtora de vinhos do Líbano se localiza no norte do país, em Batroun, sendo também a que mais se expande e hoje possui oito vinícolas. Nessa região os vinhedos localizam-se em ambientes bastante diversos, entre 400 e 1400 metros de altitude, tanto em encostas voltadas para o mar, como para o interior, dando origem a vinhos tintos potentes e brancos bastante interessantes. Em termos de viticultura, bem como turísticos, Batroun tem muito potencial a ser explorado é uma região do Líbano onde o conflito na Síria, até agora, teve poucos reflexos, sendo portanto possível e segura para turistas. As três vinícolas que conheci aqui possuem estrutura de razoável a excelente para receber turistas e seus vinhos são bastante interessantes. Para quem viajar ao Líbano, mesmo nesses tempos de relativa turbulência, Batroun é um ótimo lugar para turismo e enoturismo, com belos vinhedos voltados para o mar, linda paisagem montanhosa e monumentos históricos, como a Muralha Fenícia, construída há aproximadamente 4000 anos, o Castelo de Batroun, da época das Cruzadas, e ruínas Romanas, isso além da interessante e movimentada noite que possui a cidade.

Vinhedos voltados para o mar em Batroun

Vinhedos voltados para o mar em Batroun

Na parte central do país, próximo a capital Beirut, também existem vinhedos plantados na região conhecida como Monte Líbano. A vinicultura nessa região também é bem antiga e assim como em Batroun seus vinhedos estão situados em diferentes altitudes e principalmente em encostas voltadas para o mar, sendo possível elaborar vinhos de diferentes estilos. Nessa região, em Ghazir, está situada a vinícola do Chateau Musar (que curiosamente, não possui vinhedos aqui, só no Vale de Bekaa), além de outras seis vinícolas. A única vinícola que conheço aqui é a do Chateau Musar e visitá-la é uma experiencia e tanto (em breve comento aqui no blog). Essa região do Líbano também está relativamente tranquila, é bem turística e pode ser visitada em segurança.

Pôr do sol em Harissa, na região do Monte Líbano

Pôr do sol em Harissa, na região do Monte Líbano

Por último, no sul do Líbano, mais especificamente em Jezzine, há também uma vinícola a Karam Winery, que vem surpreendendo pela qualidade de seus vinhos, demonstrando o potencial e criando perspectiva para vinicultura em mais uma região do Líbano. Apesar de ter passado por Jezzine, nunca bebi nada dessa vinícola, nem a visitei, então não sei muito o que falar. Com relação ao turismo, Jezzine é uma bela cidade histórica cercada por florestas de pinheiro-manso (Pinus pinea) e está bem tranquila apesar de toda instabilidade que existe mais ao sul do Líbano e em Sidon.

A floresta de pinheiros de Jezzine

A floresta de pinheiros de Jezzine

Como fonte adicional de informações sobre vinícolas e vinhos libaneses sugiro o site (http://www.yourwinestyle.com) e o blog (http://yourwinestyle.wordpress.com/) de Michael Karam, jornalista libanês/inglês que fez um belo trabalho em seu livro “Lebanese Wines: An Independent Guide” da editora Turning Point, que pode ser facilmente encontrado nas Virgin Stores de Beirut. Além disso, Michael escreve ótimas matérias sobre vinhos libaneses em revistas e jornais ingleses. Essas foram minhas principais fontes de informações para este post.

Infelizmente, não são muitos os vinhos libaneses que chegam até o Brasil. Além disso, os que desembarcam por aqui são em sua maioria do Vale do Bekaa e seus preços relativamente altos. Abaixo listo os produtores libaneses que chegam ao nosso mercado, sua região de origem e a importadora que os trazem:

Chateau Ksara, Vale do Bekaa, Interfood.

Chateau Musar, Vale do Bekaa (vinícola em Ghazir, Monte Líbano), Mistral.

Massaya, Vale do Bekaa, Au Vin.

Chateau Kefraya, Vale do Bekaa, Zahil.

Coteaux de Botrys, Batroun, Zahil.

Atibaia, Batroun, Zahil.

Com exceção dos últimos dois produtores citados, que eu não conheço, já bebi pelo menos uma safra da maioria dos vinhos libaneses presentes no mercado brasileiro. Como dicas, em matéria de custo benefício, eu elegeria como campeão o Massaya Silver Selection, que vejo vendendo em lojas por valores entre 75 e 95 reais. Se eu quisesse variar e gastar mais um pouco, compraria o Chateau Ksara 2008, por R$ 105,90. Já se eu quisesse gastar menos um pouco, compraria o Reserve du Couvent por R$ 62,90, ambos vendidos no site da loja virtual Todovinho.

Além desses, entre os vinhos libaneses mais baratos de nosso mercado, sugiro o Les Bretèches do Chateau Kefraya, vendido a R$ 84,00 no site da Zahil, na minha opinião, ela tá um pouco caro para o que oferece, mas vale a pena conhecer. Entre os vinhos do Chateau Ksara, sugiro fugir dos mais baratos e comprar a partir do já mencionado Reserve du Couvent (curiosidade: esse é o vinho mais vendido dentro do Líbano). Há também o Massaya Classic, geralmente encontrado entre 65 e 80 reais, que é um pouco rústico, mas bom.

Como não posso deixar de mencionar, o Chateau Musar, tanto branco como tinto, é incrível. Um vinho único, bem estiloso, pena que aqui no Brasil é só para quem tem condições de pagar R$ 195,98 na garrafa do branco ou R$ 215,60 no tinto.

Blog de volta: o que observamos sobre vinhos na Grécia!

Grecia

Como dito em meu último post, durante praticamente todo o mês de agosto o blog esteve em férias. Isso porque eu e Patrícia estivemos viajando. Fomos para a Grécia! E rodamos por grande parte do país.

Estive pensando durante um tempo o que fazer para registrar minhas impressões sobre o que observamos na Grécia. Decidi pelo seguinte, nesse post darei um panorama geral, com comentários a respeito de nossa experiência de viagem em relação ao assunto vinho. Nos próximos, falarei um pouco sobre as vinícolas que visitamos e os vinhos que provamos, separando-os pelas diferentes regiões do país.

Antes da viagem, eu sabia que a Grécia possui regiões com clima e solo excelentes para vitivicultura, que a videira é uma planta espontânea em praticamente todo o país, que há diversos vinhos interessantíssimos e diferenciados sendo produzidos com castas autóctones (naturais do país). Isso para não prolongar muito a conversa com informações que podem ser facilmente encontradas em diversos sítios da internet.

Mas, com certeza, eu não tinha a dimensão clara de quanta diversidade eu encontraria no país (não só em matéria de vinho)! Os vinhos gregos recebem muito menos atenção do que deveriam, os tintos, de diferentes regiões, uvas e denominações, são incríveis, em muitos casos únicos, interessantes e diferenciados. Mas os brancos… Aaaahh, só de lembrar já tenho saudade! Combinam com o verão, em geral com ótima acidez, frescor e deliciosa mineralidade. Vão desde de vinhos simples, bastante florais e frutados, como aqueles feitos com a uva Rhoditis (que eu adorei) em diversas regiões do país, até brancos complexos e encorpados (com ou sem passagem por madeira) , como os Assyrtiko (quase choro de pensar no preço deles no Brasil) de Santorini. Isso para não falar de Malagousia, Athiri, Moscatos e por aí vai.

E para os que preferem as globalizadas uvas francesas e ou gostam de provar de tudo, deixo registrado que também bebemos bons vinhos com Shiraz, Cabernet Sauvignon, Chardonnay e Sauvignon Blanc, varietais ou em cortes. Gostei muito dos Shiraz de Nemea e dos Chardonnay de Creta.

Ruínas de Delphi

Ruínas de Delphi

Com relação ao enoturismo, observei que ele está bem organizado em três das regiões que passamos: Nemea, no Peloponeso; Santorini, nas ilhas Cíclades; e Heraklion, em Creta. Nessas regiões é possível ver placas indicando as chamadas “rotas do vinho” (tradução), bem como a localização de diversas vinícolas. Acontece que demos de cara na porta de diversas delas! Inclusive de vinícolas grandes. Isso considerando que visitamos a Grécia em agosto, um dos meses em que o país está mais cheio de turistas. Com isso, perdemos bastante tempo (na minha visão não perdemos tempo e sim tivemos mais chances de observar as belas paisagens do país!) de nossa viagem, o qual poderia ser utilizado para visitar mais vinícolas, ou mesmo visitar outros pontos turísticos.

Dessa forma, minha primeira recomendação é, se você pretende fazer enoturismo na Grécia, agende as visitas às vinícolas com antecedência, o que na maioria das vezes pode ser feito por e-mail. Essa recomendação pode parecer meio básica, mas considerando que eu não agendei nada porque achei que tudo fosse ser fácil, acho que outras pessoas podem cometer o mesmo erro.

Vinhedos no Peloponeso

Vinhedos no Peloponeso

Se você tem pouco tempo no país, vai passar apenas em Atenas e nas ilhas ou, por algum outro motivo, só deseja dedicar um dia de sua viagem ao enoturismo, sugiro que o faça em Santorini. Devido aos diversos outros atrativos que o local possui, essa recomendação pode parecer uma furada, mas visitar as vinícolas ao redor da ilha é uma ótima oportunidade para apreciar a sua bela paisagem. Além disso, em Santorini, observamos que as vinícolas possuem melhor estrutura e preparo para receber turistas, há vinícolas grandes que oferecem degustações de vinhos que produzem não apenas em Santorini, como também em outras regiões da Grécia, como a Boutari e a Gaia e os brancos de Santorini são imperdíveis (na ilha também há outros vinhos interessantes, mas isso fica para outro post).

Vinhedos em Santorini

Vinhedos em Santorini

Por último gostaria de falar sobre os vinhos nos restaurantes. Achei bastante justa a margem de lucro praticada. Em nenhum dos estabelecimentos em que comemos o preço das garrafas na carta ultrapassou o dobro do que as mesmas garrafas custariam nas vinícolas ou em supermercados (por exemplo). Em geral o valor era menor que isso, o preço era dobrado normalmente naquelas garrafas de vinhos mais baratos, que custavam de 3,00 a 5,00 euros no mercado (o que é compreensível).

Todos, eu digo realmente todos, os restaurantes que fomos serviam o que eles chamam de “vinho da casa” ou “vinho do barril” (tradução), os quais geralmente eram servidos em taça (180 ml), jarra com 500 ml ou 1 litro e com as opções branco, tinto (sempre) e em alguns casos rosé, de sobremesa ou retsina. Bebemos esses vinhos em várias de nossas refeições e em diferentes restaurantes. Os preços giravam em torno de 1,50 a 3,50 euros pela taça e o vinho em geral era honesto, simples e correto, poucas vezes decepcionou, assim como raras vezes surpreendeu.

Enfim, utilizei alguns bons sítios da internet como auxílio sobre o que provar e aonde ir, abaixo deixo alguns deles como sugestão:

Elloinos (http://www.elloinos.com/) – sítio administrado pelo alemão Markus Stolz, apaixonado pelos vinhos gregos que se dedica a divulgá-los e gerar informações sobre eles. Dentre outras coisas, comenta sobre vinícolas e vinhos que estão lhe chamando atenção e variedades de uvas naturais da Grécia;

All About Greek Wines (http://www.allaboutgreekwine.com/) – grande base de dados sobre as vinícolas e regiões produtoras de vinhos da Grécia. Possui contatos e localização de diversos produtores.

New Wines of Greece (http://www.newwinesofgreece.com/home/) – sítio em diversas línguas, que assim como o citado acima é uma grande base de dados sobre vinhos gregos. No entanto possui uma aparência mais atraente, além de ótimos mapas com localização de vinícolas e locais com outras atrações enoturísticas. Foi o que eu mais usei.

Enfim, não tenho tido muito tempo para o blog, mas me dedicarei a postar mais detalhes da viagem nos próximos dias.

OBS 1: já estou devendo dois posts para a #CBE, o de julho e o de agosto, em breve pretendo quitar a dívida.

OBS 2: a Patrícia já está de volta ao Brasil, mas eu continuo em viagem para outro país, assim que terminar de contar sobre a Grécia, falarei sobre isso.