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Peru: Viña Tacama

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Depois de um longo período de inatividade volto ao blog para continuar a contar sobre minha viagem ao Peru.

A primeira das duas vinícolas que visitei no Vale de Ica foi a Viña Tacama, bodega que diz ter o vinhedo mais antigo da América do Sul, implantado no século XVI, por volta de 1540, com vinhas trazidas pelos espanhóis das Ilhas Canárias. Conta a história que foi a partir dessas vinhas que a cultura se espalhou pelo Chile e depois Argentina. Desde 1920 a bodega possui laços com a viticultura francesa, importando tonéis, máquinas, técnicos e vinhas, sendo a produção até hoje influenciada pelos diferentes consultores franceses contratados pela bodega ao longo dos anos.

Ícone da vinícola, o histórico campanário de 1822

Ícone da vinícola, o histórico campanário de 1822

A Viña Tacama é uma das maiores, mais antigas e tradicionais bodegas peruanas, produzindo vinhos e piscos a partir dos seus 250 hectares de vinhedos. Em tempos remotos o Vale de Ica consistia em um oásis em meio ao deserto, sendo o clima local influenciado pelo frio das montanhas andinas, as correntes de vento do pacífico, que está distante apenas 50 km, e o calor do deserto. Devido a falta de chuvas na região, o solo pedregoso e arenoso, os vinhedos da Tacama são irrigados com água de poços subterrâneos.

Pátio interno da bodega

Pátio interno da bodega

A bodega possui visitação guiada, seguida de degustação, em inglês e espanhol, de terça a domingo, incluindo feriados. O horário de funcionamento é de 09:30 até as 16:30 horas, com visitas saindo a cada meia hora. Não me lembro se foi cobrando algo pela visitação, como não tomei anotações e nem encontrei no site da vinícola, não sei dizer.

Sala de degustação da bodega Tacama

Sala de degustação da bodega Tacama

Na degustação provei poucos vinhos (eram 3 ou 4, se não me engano), como não tenho escrito muito, resolvi comentar aqui tudo que bebi da Viña Tacama, desde do que trouxe de viagem, até o que bebi por lá:

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Tacama Rosa Salvaje Extra Brut Rosé: elaborado com um exótico corte entre Sauvignon Blanc e Petit Verdot, esse espumante apresentava cor rosa melancia, com borbulhas finas, intensas e persistentes. No nariz era intenso lembrando framboesa, melancia, algo floral e leve vegetal. Na boca era leve e refrescante, com cremosidade leve e forte acidez. Paladar bem frutado e mineral, com leve doçura. Persistência boa. Espumante muito bom! Um dos vinhos peruanos que mais me surpreendeu.

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Tacama Gran Blanco 2014: branco da linha de entrada da vinícola, um corte de Sauvignon Blanc, Chenin Blanc e Chardonnay. Na taça apresentou cor amarelo palha. No nariz era simples, lembrando pera, maçã e abacaxi. Na boca era leve e tinha certo frescor, acidez um tanto baixa. Paladar frutado e persistência curta. Vinho simples, faltou acidez, mas não era ruim.

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Tacama Blanco de Blancos 2014: branco de meio de linha, corte entre Chardonnay, Sauvignon Blanc e Viognier. Na taça tinha cor amarelo palha. No nariz lembrava maçã verde, abacaxi, algo floral e leve mel. Na boca tinha médio corpo, não era muito refrescante e a acidez era média. Paladar frutado e persistência razoável. Um pouco pesado, mais uma vez, faltou acidez.

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Tacama Gran Tinto Tres Cepas 2014: tinto da linha de entrada da vinícola, curioso corte entre Malbec, Tannat e Petit Verdot, sem passagem por madeira. Apresentou cor vermelho rubi. Nariz simples e frutado lembrando amora e leve pimenta (vegetal). Na boca era leve, tinha acidez adequada e taninos macios. Paladar frutado e vegetal, com persistência razoável. Vinho simples, barato e fácil.

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Tacama Selección Especial Malbec 2014: um dos tintos varietais do meio da linha da vinícola, um Malbec peruano, com passagem por carvalho. Na taça apresentou cor vermelho violáceo, mas não muito escuro. No nariz era diferente, bem floral, lembrava também ameixa e algo vegetal. Na boca tinha médio corpo, taninos macios e acidez um pouco baixa para o meu gosto, deixando o vinho um pouco enjoativo. Paladar frutado e vegetal, com leve sensação adocicada. Faltou equilíbrio, mas é um vinho interessante, bem diferente de qualquer outro Malbec que já bebi.

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Tacama Selección Especial Petit Verdot 2014: da mesma linha do vinho anterior é também esse Petit Verdot. Na taça tinha cor vermelho rubi. Aromas lembrando ameixa, madeira serrada, tabaco e forte vegetal. Na boca estava muito novo, desequilibrado, com médio corpo, boa acidez e taninos ainda fortes. Paladar frutado, vegetal e muito amadeirado. Um vinho ainda muito duro, novo, com a madeira aparecendo demais, precisa de mais tempo em garrafa.

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Tacama Don Manuel Tannat 2013: vinho top da vinícola, um varietal de Tannat que estagiou por 12 meses em barris de carvalho francês. Na taça apresentou cor vermelho rubi escuro. Nariz de certa complexidade, lembrando amora, cereja, café, pimenta preta, baunilha e forte vegetal. Na boca era macio, encorpado, com fortes e finos taninos e gostosa acidez. Paladar bem frutado, apimentado e vegetal. Persistência muito boa. Um vinho ainda jovem, mas já bem macio e equilibrado. Melhor vinho peruano que já bebi, deve ficar muito bom com mais alguns anos em garrafa.

Vinhedos com as montanhas ao fundo

Vinhedos com as montanhas ao fundo

Com belos vinhedos em meio ao deserto, montanhas ao fundo, construções históricas e alguns dos melhores vinhos produzidos no Peru, se em sua viagem você pretende passar pela região, a Viña Tacama é um ótimo ponto a ser visitado.

Uma tarde no oásis

Uma tarde no oásis

Como sugestão do que fazer nos arredores da vinícola, recomendo, além do passeio pela própria “ruta del pisco“, uma ida até o oásis de Huacachina que possui uma paisagem bem bonita e interessante, cercado por altas dunas de areia do deserto e rodeado por tamareiras e pelo charmoso vilarejo.

O oásis, as dunas e o vilarejo

O oásis, as dunas, as tamareiras e o vilarejo

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Resumo da visita:

Vinícola: Viña Tacama

Localização: Camino Real s/n, La Tinguiña, Ica

Data da visita: 23/01/2015

Com quem: sozinho

Preço da degustação: não me recordo

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Um pensamento sobre “Peru: Viña Tacama

  1. Pingback: Don Manuel Tannat 2011 | Confraria do Sagu

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