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Viagem ao Peru: panorama geral sobre o vinho e enoturismo

Bandeira Peru

Em janeiro deste ano viajei ao Peru e, como estive bem ocupado, passei todo esse tempo sem escrever sobre a viagem. Desde abril que não tenho conseguido dedicar ao blog a atenção que sempre tive e gostaria de continuar tendo. Agora, ao voltar a escrever, decidi priorizar os posts mais longos que eu tinha em fila, exatamente aqueles sobre viagens.

Enquanto estive pelo Peru, além de aproveitar (e muito) a fantástica gastronomia do país, bebi alguns vinhos de lá, visitei a “Ruta del Pisco” e, como não poderia deixar de ser, também fui a vinícolas, sobre as quais em breve pretendo comentar. Nesse post minha intenção é mais falar de forma geral sobre o vinho peruano e o enoturismo no país.

Sobre o vinho peruano

A história, contada por cronistas que acompanhavam as viagens de colonização da América, diz que a primeira vinificação feita na América do Sul, não foi nem no Chile, nem na Argentina e muito menos no Brasil, sim em Cusco no Peru. Embora a história do país com o vinho seja antiga, a enologia com foco para produção de vinhos finos é bastante recente.

"Ruta del Pisco"

Ruta del Pisco

A principal região produtora do Peru é o Vale de Ica, um local de paisagem intrigante, com vinhedos plantados literalmente no meio do deserto e uma beleza bastante peculiar. Lá se localiza a “Ruta del Pisco“, que é o conjunto de estradas onde se concentram as “bodegas” produtoras de pisco, a bebida nacional do Peru. O pisco é uma bebida destilada que me impressionou pelos seus aromas e paladar bem seco, sendo muito utilizado na confecção de drinks, como o tradicional “pisco sour“, no entanto, em minha opinião, os melhores piscos merecem ser apreciados puros, em pequenas doses, tendo em vista o alto teor alcoólico.

O pisco é produzido principalmente a partir de uvas de variedades americanas ou híbridas, sendo comum que as bodegas também produzam vinhos (doces e secos) com essas uvas. A partir da metade final do século passado, algumas tradicionais bodegas de pisco investiram também em plantios de Vitis vinifera, principalmente de variedades francesas, para produção de vinhos finos, gerando a vitivinicultura que existe atualmente no Peru.

Vinhedos da Bodegas Tacama, em Ica

Vinhedos da Bodegas Tacama, em Ica

Sobre o vinho peruano em si pode-se disser que eles tem seu estilo, sendo diferentes (bastante diferentes até em alguns casos) dos demais sul americanos, valendo além da curiosidade de beber vinhos de uma localidade diferente. Mas considerando tudo que provei, diria que, embora os tintos tenham boa qualidade e principalmente custo benefício, os vinhos peruanos não atingem o mesmo nível de qualidade que os do Chile, Argentina e Brasil.

Já a gastronomia peruana é fantástica! Não é toa que muitos consideram Lima a capital gastronômica da América Latina. A culinária do país vai muito além do famoso ceviche, possuindo diversos pratos típicos bem peculiares e diferentes de tudo, utilizando ingredientes que só são encontrados localmente, como carne de alpaca e de “cuy” (porquinho da índia), além das pimentas e temperos para os mais variados gostos.

Algumas dicas (relacionadas ao vinho e enoturismo):

1) Na rota do pisco: não é um dos pontos turísticos mais comuns no itinerário de uma visita ao Peru, mas se fizer parte do seu roteiro, enquanto estiver por aqui conheça e aproveite o pisco, se perca nas diversas bodegas e se tiver interesse visite as vinícolas produtoras de vinhos. A Santiago Queirolo e a Tacama (ambas produzem além de vinhos finos, pisco), as duas que visitei, são bem bonitas, mas a estrela local é mesmo o pisco.

Vinhedos da Santiago Queirolo em Ica

Vinhedos da Santiago Queirolo em Ica

2) Se realmente visitar Ica: a cidade de Ica em si não possui grandes atrativos ou estrutura turística, os dois principais pontos de interesse turístico na região são a rota do pisco e o oásis de Huacachina. Se você realmente pretende visitar Ica, minha sugestão é que o faça de ônibus, excursão ou táxi a partir de Paracas ou Nazca, cidades mais usuais em roteiros turísticos e que possuem maiores atrativos. Eu fiquei em Ica dois dias e me arrependi, deveria ter ido para Nazca (que acabei não visitando…) ou ficado em Paracas e aproveitado melhor as praias da maravilhosa Reserva Nacional de Paracas. Um dia para visitar Ica é mais que suficiente.

Oásis de Huacachina

Oásis de Huacachina

3) Em restaurantes: não consumi muitos vinhos em restaurantes, mas, quando o fiz, os preços me pareceram justos. A crítica aqui fica por conta de algo que também vemos muito no Brasil, em diversos restaurantes a oferta de vinhos peruanos na carta era bem restrita ou inexistente… A produção local merecia melhor destaque nas cartas.

El Candelabro, petróglifo em Paracas

El Candelabro, petróglifo em Paracas

4) Marque as visitas (ou não): embora pareça óbvio, já me dei mal por isso, sendo assim sempre dou essa dica. Nessa viagem marquei as visitas, mas se não tivesse marcado, daria no mesmo. As duas vinícolas que visitei, assim como as bodegas de pisco, tinham estrutura para receber visitantes mesmo sem agendamento.

Reserva Nacional de Paracas

Reserva Nacional de Paracas

5) Dirigir no Peru: não recomendo alugar carro e dirigir pelo Peru, a qualidade das estradas (a maioria em mão dupla) nos locais que visitei, em geral, era razoável, variando de boa a péssima. O problema maior é o trânsito nas cidades que além de engarrafado é bem agressivo, com ônibus, caminhões e outros carros te cortando o tempo inteiro, “tuk-tuks” (isso mesmo, aquela motinho coberta indiana, é muito comum em Ica) andando entre os carros, falta de sinalização, dentre outras coisas. Durante a viagem a última coisa que quero é me estressar e dirigir em Ica e Lima foi estresse garantido.

Para quem não acreditar: uma rua qualquer em Ica

Para quem não acreditar: uma rua qualquer em Ica

6) Lima: gostei muito de Lima, embora o céu estivesse quase sempre cinza, com certeza valeu a visita, o centro histórico da cidade é bem bonito e interessante. O luxuoso bairro de Miraflores, embora não expresse a realidade do país,  abriga ótimos restaurantes e uma agradável caminhada pela orla, com belas vistas do mar e do pôr do sol.

Um pouco da graça de Miraflores

Um pouco da graça de Miraflores

Sugestão de leitura

Para finalizar, gostaria de deixar uma sugestão (também uma referência de parte das informações desse post) de texto sobre o vinho no Peru, o melhor que encontrei pela internet, é este escrito por John Santa Cruz, na revista Gastronomia Alternativa: El despertar de los vinos peruanos (texto em espanhol).

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