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Um vinho da Síria! (#CBE junho de 2015)

Grand Vin De Syrie 2007

Enfim volto ao blog, por hora só para comparecer na Confraria Brasileira de Enoblogs (#CBE), mas em breve pretendo retornar a postar uma vez por dia ou dia sim, dia não.

Para esse mês de junho de 2015, o confrade Ewerton Cordeiro, do blog Vinhos de Minha Vida, sugeriu que provássemos “um vinho tinto de país que você nunca degustou harmonizado com um prato típico”. Caramba! Eu que gosto de provar tudo de diferente adorei! (Ewerton, vou ficar devendo a harmonização, desculpa, mas deixei uma boa sugestão no final do post).

E fui desencavar um vinho da Síria! Já havia algum tempo que caçava esse vinho, procurei, procurei, mas não encontrei ele no Líbano, quando estive lá em 2013. Em minha recente viagem para a Espanha, sem procurar, achei na Lavinia, em Madrid.

Durante séculos, em tempos anteriores à colonização islâmica, as montanhas próximas a costa mediterrânea na Síria e no Líbano foram conhecidas por produzir vinhos de qualidade, sob o comando de povos como os fenícios, gregos, e romanos, por exemplo. No entanto, como o islamismo proíbe o consumo de álcool, a vinicultura foi deixada de lado  e esquecida nesta região.

A história começou a mudar em 2003, quando a família Saadé, de origem cristã ortodoxa e com raízes na cidade costeira de Latakia, decidiu implantar o que hoje é a única vinícola particular da Síria. Localizada no Vale de Orontes, com vinhedos no Monte Bargylus (Jabal al Ansariyé) a uma altitude de 900 metros em solo cascalhento, rico em calcário, a vinícola produz desde 2006 algo em torno de 600.000 garrafas de vinhos por ano, divididos em apenas dois rótulos um branco e um tinto.

Mas e a guerra na Síria? A região costeira do país, mais liberal e com maior concentração de cristãos e muçulmanos alauitas, em nenhum momento deixou de ser controlada pelo regime e se localiza longe das áreas de conflito. O que não quer dizer que a vida do produtor esteja fácil, nessa entrevista, concedida ao The World da PRI (Public Radio Internacional), ele explica a dificuldade que tem em manter a mão de obra e na exportação de seu produto, além das caraterísticas de seu vinho e terroir.

Enfim, depois de tanto texto, vamos ao vinho:

Na taça apresentou cor vermelho rubi, com leve halo de evolução.

No nariz era complexo e elegante, lembrando amora, uva passa, chocolate, pimenta preta, tabaco e forte mentolado.

Na boca mantinha a elegância, com potência e maciez aliadas, era encorpado, tinha boa acidez e taninos de forte presença, bastante agradáveis. Paladar bem frutado e mentolado, com um toque apimentado. Persistência longa.

Muito mais que uma curiosidade, um vinho excelente! Tinha muito equilíbrio e potência bem dosada! É dito que o Domaine Bargylus pode trazer ao vinho na Síria a revolução e reconhecimento que Château Musar trouxe ao vinho no Líbano. Eu acredito que sim, no entanto me pareceu faltar a esse tinto um pouco mais de personalidade e identidade, na taça ele parecia muito um vinho francês (segundo o Cesar, sul da França). Para fazer o que o Musar fez no Líbano esse produtor tem que elaborar seu vinho para falar árabe e não francês. O que não reduz em nada o mérito do conteúdo desta garrafa, um vinhaço que vale a pena ser provado.

No site do produtor consta que 2006 foi a primeira safra deste vinho e 2009 é a mais atual (2007 então foi a segunda). Fiquei muito curioso para provar a safra mais recente, pena ser tão difícil de encontrar!

Quanto a harmonização fiquei devendo, mas enquanto bebia o vinho pensava em kafta de cabrito (ou cordeiro) enrolada em pão árabe e regada de babaganoush!

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Resumo do vinho:

Nome: Bargylus Red 2007

Vinícola: Domaine Bargylus

Região: Vale do Orontes, Latakia, Síria

Teor alcoólico: 14,5%

Safra: 2007

Uva: Syrah (40%), Cabernet Sauvignon (35%) e Merlot (25%)

Preço: 37 euros

Comprado em (mês/ano): Lavinia Madrid (04/15)

Importador: não vem para o Brasil

Bebido com (data): uma galera (05/05/2015)

Nota: 5 em 5 pontos.

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6 pensamentos sobre “Um vinho da Síria! (#CBE junho de 2015)

    • Nossa Fernando que maravilha!

      Tanto o branco como o tinto são vinhos muito bons, acredito que o problema para trazer eles para cá seria o preço, já que eles são meio caros.
      Enfim, torço para que eles venham para cá e peço que me avisem quando chegarem!

      Abraço,
      Jorge.

  1. Bom dia Fernando, fiquei muito empolgado em conhecer esse vinho. Apesar de você já ter esclarecido que não existe importação para o Brasil, você acha possível encontra-lo por aqui, ainda que em algum restaurante especializado em comida síria?

    • Fábio,

      Acho muito difícil, para ser sincero, quase impossível.
      Não encontrei esse vinho nem Beirute, quando estive lá em 2013…

      Agora, se viajar para Espanha, tem na Lavinia de Madrid.

      Abraço,
      Jorge

      • Obrigado Jorge, se eventualmente você souber sobre importação deste vinho, por favor nos informe.
        Um grande abraço e parabéns pelo blog.

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