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Visita ao Chateau Musar

Chateau Musar

Do pouco tempo que passei no Líbano consegui tirar um dia, em companhia de meu primo Chemil, para visitar algumas vinícolas em Batroun e, lógico, o Chateau Musar. Conforme eu tiver tempo, vou comentando as outras duas vinícolas que visitei em Batroun, ambas merecem atenção.

Pode-se dizer que o Chateau Musar é a vinícola de maior prestígio do Líbano, sendo comum inclusive considerá-la como um sinônimo de vinho libanês. Fundada em 1930 por Gaston Hochar, foi apenas durante os anos 70, já sobre o comando de Serge Hochar (filho de Gaston), que a vinícola alcançou fama internacional e colocou novamente (na antiguidade o país teve importante papel para a cultura do vinho) o Líbano no mapa da vitivinicultura mundial.

Vista da vinícola para o mar

Vista da vinícola para o mar

Apesar de os vinhedos estarem localizados no Vale de Bekaa, a vinícola se localiza no castelo da família Hochar, construído no século 18, em Ghazir. O castelo possui uma bela vista para o mar, abriga todo o equipamento para elaboração dos vinhos, além de grande e interessante cave na qual envelhecem milhões de garrafas.

Os vinhedos do Chateau Musar são cultivados de forma orgânica e a vinícola é adepta da produção natural, com o mínimo possível de intervenção na elaboração dos vinhos.

As garrafas envelhecendo...

As garrafas envelhecendo…

A simpática Fadia nos conduziu para a visita às instalações da vinícola, nos explicando tudo sobre o processo de elaboração dos vinhos e a filosofia do Chateau Musar. Já a degustação foi conduzida por ninguém mais ninguém menos que Gaston Hochar, filho de Serge, que participa ativamente da elaboração dos vinhos do Chateau e sob o seu comando provamos o seguinte:

Musar Jeune White 2012: vinho branco elaborado com 35% de Viognier, 35% Vermentino e 30% de Chardonnay. Era bem agradável com aromas que lembravam abacaxi, cítricos, maracujá, jasmim e um toque de mel. Na boca tinha uma acidez muito gostosa, com elegância, boa mineralidade, frescor e leveza.

Chateau Musar White 2005: e a coisa já foi ficando séria assim logo no segundo vinho provado. Esse branco, que costumo dizer ser o meu vinho preferido, é produzido com as castas nativas do Líbano Obaideh e Merwah que dizem ser ancestrais da Chardonnay e Sémillon respectivamente. Os aromas eram muito complexos remetendo a damasco (fresco e seco), flor de laranjeira, jasmim, mel e cedro. Na boca estava incrível! Intenso, com bom volume, bem equilibrado, madeira muito bem integrada e acidez deliciosamente marcante. Persistência bem longa.

Os barris do Musar

Os barris do Musar

Musar Jeune Red 2011: vinho tinto produzido a partir do corte das uvas Cinsault (50%), Syrah (35%) e Cabernet Sauvignon (15%). Interessantes aromas de frutas (ameixa e amora) e um intrigante vegetal. Na boca era bem equilibrado, frutado e levemente apimentado, com médio corpo, boa acidez e taninos finos e marcantes. No passado eu havia provado o equivalente desse vinho, o Cuveè Musar, e não tinha gostado. Além da mudança no nome deram uma repaginada nele que o deixou bem mais interessante.

Musar Cinsault 2011 (não é um vinho comercial): Gaston nos ofereceu provar os vinhos produzidos para serem utilizados no blend que dá origem ao grande Chateau Musar tinto. Estávamos com certa pressa, pois eu tinha marcado horário com outra vinícola em seguida e já estava em cima da hora. Com muita dificuldade abdiquei de provar dois deles, o Cabernet Sauvignon e o Carignan, isso além do Jeune Rosé, que eu já tinha passado antes. Mas o Cinsault eu não poderia deixar passar. Esse vinho, que pela época que estive lá estava terminando seu estágio em tanque de cimento, apresentou aromas intensos muito frutados (muita amora, com ameixa e mirtilo), sendo potente e volumoso na boca, isso com maciez e taninos firmes e finos. A acidez é que não era tanta, interessante, se eu tivesse provado os outros dois acredito que teria entendido melhor o Chateau Musar tinto, que todas as vezes que provei tinha uma acidez marcante. Enfim… Fica para uma próxima!

Vinhedos no Vale do Bekaa (foto de quando fui lá em 2010)

Vinhedos no Vale do Bekaa (foto de quando fui lá em 2010)

Hochar Père et Fils Red 2008: vinho tinto produzido a partir de um blend entre Cinsault (50%), Grenache (30%), Carignan (10%) e Cabernet Sauvignon (10%).  Apresentava aromas de boa complexidade, com aquele toque oxidado típico dos vinhos do Musar, lembrando amoras, ameixa, tabaco, especiarias e tostado. Na boca era macio, volumoso, com gostoso apimentado, algo de chocolate amargo e frutas. A acidez era bem gostosa, o álcool equilibrado e os taninos firmes e bem agradáveis. Verdade seja dita, o vinho é bastante bom e de estilo diferente do Chateau, mas por quase o mesmo preço não vejo muito porque comprá-lo. Não entendo muito bem esse vinho, mas se a vinícola produz, acredito que tenha um mercado. Como vinho é questão de gosto…

Chateau Musar Red 2004: esse tinto 2004 estava bem interessante, sendo um corte de Cinsault, Carignan e Cabernet Sauvignon em partes praticamente iguais. Os aromas eram ricos, intensos e com toque oxidado remetendo a amora, ameixa (fresca e seca), pimenta do reino, cedro e couro. Na boca tinha presença e volume com bastante maciez, fruta e pimenta. A acidez era deliciosa e os taninos bem presentes e já agradáveis. Persistência bem longa e uma interessante evolução nos primeiros minutos após aberto. Um belo vinho!

Lado a lado, 40 anos de história, as garrafas de 2005 (esquerda), mais limpas e as de 1965 (direita) bem sujas.

Lado a lado, 40 anos de história, as garrafas de 2005 (esquerda), mais limpas e as de 1965 (direita) bem sujas.

Considero a visita ao Chateau Musar como um programa turístico válido para todos que um dia visitarem o Líbano. A vinícola fica perto de Beirut, a região é segura, a subida até a vinícola guarda belas paisagens, o antigo castelo no qual ela se localiza também é bem bonito, as caves do Chateau são muito interessantes, a estrutura e o preparo para receber turistas muito bons. Isso não mencionando o principal, os maravilhosos vinhos.

Seguindo a linha de meus posts anteriores sobre vinícolas, a dica turística para visitar antes ou depois de ir ao Chateau Musar seria a Catedral e o Monumento de Harissa, que ficam próximo a cidade costeira de Jounieh, a 650 metros de altitude. A vista e especialmente o pôr de sol de lá são bem bonitos (foto abaixo), além de se tratar de importante local sagrado e de peregrinação para os Cristãos Maronitas libaneses.

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Pôr do sol em Harissa.

Aos pês da "Nossa Senhora do Líbano"

Aos pês da “Nossa Senhora do Líbano”

Resumo da visita:

Vinícola: Chateau Musar

Localização: Ghazir, Monte Líbano, Líbano (endereço da vinícola, os vinhedos ficam no Vale de Bekaa)

Data da visita: 05/09/2013

Com quem: Chemil

Preço da degustação: gratuita

Obs: os vinhos do Chateau Musar são importados para o Brasil pela Mistral.

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