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Creta: Lyrarakis

Lyrarakis

Já com o GPS funcionando, tendo como achar o caminho fomos para a Lyrarakis, que fecha minha série de posts sobre as vinícolas que visitamos na Grécia, tendo em vista que ela foi a última. Em breve escreverei um post sobre retsina, outro sobre alguns vinhos interessantes que bebemos e por último um recapitulando tudo que escrevi a respeito de nossa viagem à Grécia.

A vinícola Lyrarakis foi fundada em 1966, mas só em 1992 começou a engarrafar seus próprios vinhos, que antes eram vendidos a granel para grandes vinícolas da Grécia. Possuindo 14 hectares plantados com vinhedos a vinícola tem interesse especial em cultivar e manter variedades de uvas raras nativas de Creta. As uvas brancas cultivadas são Plyto, Dafne (essas duas a Lyrarakis ajudou a salvar da extinção), Vilana, White Muscat e Sauvignon Blanc e as uvas tintas são Kotsifali, Mandilaria, Black Muscat, Syrah, Cabernet Sauvignon e Merlot. Além dessas, outras variedades menos conhecidas de uvas nativas são cultivadas em pequena quantidade e de forma experimental, visando testar seu potencial para produção de vinhos.

Os vinhedos que circulam a vinícola.

Os vinhedos que circulam a vinícola.

Não era necessário agendar a visita, tendo em vista que durante o verão a vinícola fica aberta de segunda a sexta das 11:00 às 19:30 horas e sábado das 13:00 às 19:30. A estrutura para enoturismo é boa e eles estão bem preparados para receber visitantes. A degustação dos oito vinhos abaixo nos custou 5 euros e não nos foi permitido dividir a taça, tivemos que pagar por duas degustações. Abaixo escrevo um pouco sobre os vinhos que provamos:

Lyrarakis Plyto 2012: vinho branco elaborado com a variedade Plyto, natural de Creta e uma das duas que o produtor (Lyrarakis) está trabalhando para salvar de uma possível extinção. Era um vinho com aromas florais e frutados, sendo leve e refrescante na boca com bastante acidez e mineralidade. Um branco interessante, para traçar uma comparação (não consigo evitar) diria ser parecido com um Roditis só que com mais intensidade.

Lyrarakis Dafne 2012: branco produzido com a variedade Dafne, a outra casta nativa de Creta que o produtor tem trabalhado para salvar da extinção. Essa daqui gerou um dos vinhos brancos mais loucos que eu já bebi! É bem interessante e diferente de qualquer outra coisa. Os aromas eram bastante vegetais lembrando alecrim (nunca havia sentido cheiro de alecrim em um vinho) e louro, mas também tinha presença de frutas e um leve floral. Na boca tinha bom volume, com acidez “apenas” adequada (apenas porque isso é bem diferente dos brancos gregos no geral) em um conjunto de interessante equilíbrio.

Lyrarakis Grande Colline 2012: elaborado a partir do corte entre as variedades brancas internacionais e locais, sendo elas Sauvignon Blanc (10%), Moscato (30%) e Vilana (60%). Gerou um vinho bastante aromático com muita fruta (mamão e maracujá), flores e um leve vegetal. Na boca era bem equilibrado, leve e fácil de beber, com bastante frescor.

Lyrarakis Idyll 2012: vinho rosé produzido com as uvas Syrah (70%) e Kotsifali (30%). Aromas principalmente frutados, sendo delicado e equilibrado na boca, com leveza, boa acidez e final com um toque apimentado.

Local onde provamos os vinhos.

Local onde provamos os vinhos.

Lyrarakis Last Supper 2010: corte de Kotsifali (70%), Mandilaria (20%) e Syrah (10%), que gerou um vinho tinto interessante, sem passagem por madeira, onde os aromas remetiam principalmente a frutas, com toques de pimenta e herbáceos. Na boca era pura maciez e equilíbrio, com médio corpo e taninos finos.

Lyrarakis Syrah-Kotsifali 2010: como o próprio nome sugere, um corte entre Syrah (70%) e Kotsifali (30%) com aromas de certa complexidade onde se notavam frutas, especiarias, vegetais e um leve tostado. Na boca tinha boa presença, era encorpado e os fortes taninos já estavam macios, nesse vinho equilibrado e de boa persistência.

Lyrarakis Mandilari 2010: varietal da uva Mandilaria, que era bastante interessante, com aromas complexos de frutas frescas e secas, pimenta do reino e algo de terra. Na boca era encorpado, tânico e com acidez bem gostosa. Difícil de descrever como, mas era um vinho bem diferente e interessante. Acredito que ainda precise de mais um tempinho de garrafa para mostrar todo seu potencial.

Lyrarakis Malvasia of Crete (sem safra): vinho de sobremesa produzido a partir de uvas das variedades nativas de creta Dafne, Plyto, Vidiano e Vilana, secas ao sol. Era bem aromático com certa complexidade e cheiros que remetiam a frutas em compota, damasco (seco e fresco) e mel.  Na boca era denso, com acidez e doçura em harmonia e persistência longa. Mais um bom vinho de sobremesa produzido na Grécia.

Os vinhos provados.

Os vinhos provados.

A Lyrarakis surpreende pelo custo benefício, vinhos muito bons como o Syrah-Kotsifali e o Mandilaria custavam ao redor de 10 e 15 euros respectivamente, isso sem falar no interessante Dafne que saia pela bagatela de 7 euros e nos demais vinhos, todos bons, custando menos de 10 euros (tirando o Malvasia que era mais de 20). A vinícola produz uma longa lista de vinhos e foi uma pena não poder ter provado mais. Vale demais a visita!

Com suas charmosas castas autóctones, os brancos de Creta são bastante interessantes e diferenciados e os potentes tintos não ficam de maneira nenhuma para trás. Pena termos ficado tão pouco tempo em Creta, eu gostaria de ter explorado mais a ilha e conhecido melhor seus vinhos. Sua paisagem agrícola é encantadora, assim como suas encostas mais úmidas e verdes que grande parte das existentes no continente e principalmente nas outras ilhas do Mar Egeu. Minha sugestão para antes e depois da Lyrarakis; aproveite a paisagem, se perca um pouco pelas estradas de menor circulação e ou vá até a praia.

Uma beira de estrada em algum lugar de Creta.

Uma beira de estrada em algum lugar de Creta (na praia).

Uma beira de estrada em algum lugar de Creta (no interior).

Uma beira de estrada em algum lugar de Creta (no interior).

Resumo da visita:

Vinícola: Lyrarakis

Localização: Heraclião, Creta, Grécia

Data da visita: 24/08/2013

Com quem: Patrícia

Preço da degustação: 5 € por pessoa (pagamos 10 €)

Obs: os vinhos sem importador no Brasil.

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Um pensamento sobre “Creta: Lyrarakis

  1. Pingback: Lyrarakis Dafni 2012 | Contando Vinhos

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