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Santorini: Domaine Sigalas

Sigalas

No entardecer nos dirigimos a vinícola Domaine Sigalas que fica perto de Oia, do outro lado da ilha quando se considera a localização das demais vinícolas de Santorini. Eu já havia me comunicado por e-mail com eles antes, mas não era necessário marcar a visita, já que durante o verão a vinícola fica aberta à visitação das 11 às 21 horas.

A Domaine Sigalas foi fundada em 1991 tendo como filosofia o respeito às tradições da ilha Santorini, a tecnologia e a qualidade na produção de seus vinhos. Com capacidade de produção de 300.000 garrafas por ano, seus vinhos são exportados para diversos países do mundo, inclusive para o Brasil, onde são importados pela Decanter.

Na vinícola os vinhos podem ser degustados em taça por preços individuais que variam de acordo com o vinho desejado, ou pode ser realizada a degustação completa, onde são servidos todos os vinhos produzidos em uma ordem pré-definida. Escolhemos essa degustação, que nos custou 11 euros e nos foi permitido pagar apenas uma para as duas pessoas. Abaixo relato minhas impressões sobre os vinhos provados:

Domaine Sigalas Aidani 2012: a uva Aidani compõe, junto com a Assyrtiko e a Athiri, o corte de grande parte dos vinhos brancos de Santorini. De todos os produtores de Santorini que vi e bebi o Sigalas foi o único que elabora um vinho varietal com essa uva. Ela é mais leve e aromática que a Assyrtiko, interessante a decisão de vinificá-la sozinha, gerando um vinho frutado e floral no nariz, com a acidez, mineralidade e frescor característicos dos brancos de Santorini, em uma versão mais leve e fácil de beber.

Bebemos os vinhos com essa vista.

Bebemos os vinhos com essa vista.

Domaine Sigalas Aidani 2011: interessante poder provar duas safras desse vinho. Esse aqui estava mais macio que seu irmão mais novo, no entanto menos intenso tanto no nariz quanto na boca. Eu preferi a safra mais recente, mas como esse estava mais macio, acredito que algumas pessoas podem preferi-lo.

Domaine Sigalas Assyrtiko – Athiri 2012: um corte entre a Assyrtiko (75%) e a Athiri (25%), sendo um vinho bem típico de Santorini, com um perfil mais simples e fácil de beber. Muito bom para um dia quente e uma conversa.

Domaine Sigalas Santorini 2012: esse já era um Assyrtiko a 100%, com aromas frutados (principalmente frutas cítricas) de boa intensidade, na boca já era bem mais estruturado que os vinhos anteriores, com forte acidez e mineralidade, sendo encorpado sem ser pesado e mantendo excelente frescor.

Domaine Sigalas Santorini Barrel 2012: uma versão amadeirada do vinho anterior, esse fermentou em barris de carvalho francês, onde permaneceu por mais 6 meses sobre as lias. Ganhou complexidade e amaciou, ficando a madeira em harmonia com o conjunto do vinho.  Aromas frutados com leve presença de baunilha e algo vegetal. Na boca era encorpado, mineral, com a forte acidez mais macia e ótimo frescor. Mais equilibrado que o anterior.

A forma tradicional de condução da videira em Santorini.

A forma tradicional de condução da videira em Santorini.

Domaine Sigalas Kavalieros 2011: mais um Assyrtiko varietal, só que esse fica sobre as lias 18 meses e as uvas utilizadas na sua elaboração são de um vinhedo em maior altitude. Esse vinho leva as características da Assyrtiko ao topo, sem dúvidas o melhor Assyrtiko que eu bebi. Aromas intensos de frutas (cítricas principalmente), floral, um toque de iogurte e outro vegetal. Na boca tinha uma presença intensa, encorpado, fresco, com muita acidez e mineralidade, tudo muito bem equilibrado nesse vinho harmônico e de longa persistência.

Domaine Sigalas Nychteri 2010: elaborado com uvas Assyrtiko super maduras fermentadas em antigos barris de carvalho, onde permanecem por 30 meses sobre as lias. Um vinho diferente do padrão de Santorini e diferente de tudo, bem interessante. Por incrível que pareça a madeira estava bem integrada ao vinho, que era bastante complexo tanto no nariz como na boca. Aromas de frutas maduras, mel, amêndoas, iogurte e algo amanteigado. Na boca o açúcar residual era bem perceptível, dando uma amaciada no vinho, que tinha forte e deliciosa acidez, era bem encorpado e persistente.

Domaine Sigalas Ean 2010: vinho rosé elaborado com as uvas Mavrotragano, Mandilaria e Agiorgitiko. Um rosé de perfil mais delicado, que julgo ter sido mal colocado na degustação, pois ficou logo após de vinhos intensos (mesmo que brancos) e com forte acidez. Resultado: foi atropelado. Me pareceu um vinho mais leve, para ser bebido como aperitivo.

Domaine Sigalas Krisi (não anotei a safra): vinho tinto elaborado com as uvas Mandilaria, Mavrotragano e Merlot. Interessante e diferente, um vinho tinto simples, leve e fácil de beber.

Domaine Sigalas Mavrotragano – Mandilaria 2011: corte de Mavrotragano (60%) e Mandilaria (40%). Um bom vinho, diferente e interessante, com aromas de frutas, café e algo vegetal. Na boca era estruturado, com boa acidez e taninos marcantes e macios.

Uvas no Domaine Sigalas.

Uvas no Domaine Sigalas.

Domaine Sigalas Mavrotragano 2011: vinho varietal da Mavrotragano, variedade tinta nativa de Santorini e que esteve ameaçada de extinção até pouco tempo. Com aromas complexos de frutas, pimenta, café e tostado. Na boca era intenso, encorpado, com forte acidez e taninos firmes. Um vinho estruturado e que me pareceu estar ainda um pouco duro, creio que com mais um ou dois anos na garrafa estará no ponto.

Domaine Sigalas Vinsanto 2004: o típico vinho de sobremesa de Santorini, sendo que esse da Sigalas foi de longe o melhor que provamos (devemos ter provados uns 4-5 diferentes). Elaborado com uvas Assyrtiko (75%) e Aidani (25%) secas ao sol, tinha uma bela cor dourada alaranjada, com aromas complexos de frutas carameladas e em compota, mel e amêndoas. Na boca era denso, cremoso, com a acidez vibrante em grande equilíbrio com a doçura. A persistência era bem longa e o gosto que ficava na boca uma delícia.

Domaine Sigalas Apiliotis 2008: vinho doce tinto elaborado com a casta Mandilaria a partir de uvas secas ao sol. Os aromas eram agradáveis e com alguma complexidade, mas na boca me pareceu muito doce e, além disso, denso e tânico demais (não era muito tânico, mas o tanino não caia bem no conjunto), sendo pesado e enjoativo. Um vinho bem estranho, não me agradou. Por algum motivo me fez pensar que talvez fosse muito bem com um charuto. Quem sabe?

Considerando tudo o que eu bebi em Santorini, a Domaine Sigalas foi minha vinícola preferida na ilha. Não é a toa que o Sigalas é conhecido como mestre da Assyrtiko. Nem preciso dizer que vale e muito a visita. Como essa vinícola é mais afastada das demais e do restante da ilha, demorando uns 30 minutos para chegar de Thira (cidade central da ilha) até ela, recomendo visitá-la ao entardecer, aproveitando para apreciar o belo pôr do sol da cidade de Oia, considerado por muitas pessoas como o mais bonito de Santorini e um dos mais bonitos do mundo.

Pôr do sol em Oia.

Pôr do sol em Oia.

Mais uma do pôr do sol.

Mais uma do pôr do sol.

A lua cheia e seu reflexo na água.

A lua cheia e seu reflexo na água.

Resumo da visita:

Vinícola: Domaine Sigalas

Localização: Foinika (Oia), Santorini, Grécia

Data da visita: 21/08/2013

Com quem: Patrícia

Preço da degustação: cada vinho tem seu preço, uma degustação completa custava 11 €

Obs: vinhos importados para o Brasil pela Decanter.

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4 pensamentos sobre “Santorini: Domaine Sigalas

  1. Pois é Consigliere,

    Eu li seu post sobre esse vinho, é mesmo um belo vinho!
    Pena que seja tão caro aqui no Brasil…

    Se algum dia voltar à Grécia e for a Santorini, não deixe de dar uma passada no Sigalas. Foi meu produtor preferido na ilha.
    Ah, as fotos ficam bonitas porque o lugar é sensacional!

    Obrigado pela visita e pelo elogio!
    Parabéns pelo seu blog e bons vinhos!

    Abraço,
    Jorge.

  2. Jorge, que beleza. Beber esses vinhos na própria Santorini deve ter sido um momento espetacular. Abraços.

  3. Sim Oscar,

    Santorini pode parecer apenas um destino turístico óbvio, mas é bem mais que isso, além de um paraíso mediterrâneo e geológico, é também um paraíso enológico (e porque não gastronômico?). Desejo muito voltar lá um dia com mais tempo para a ilha e em especial para seus vinhos.

    Obrigado pelos elogios, parabéns pelo seu trabalho e bons vinhos!
    Abraço,

    Jorge.

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