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#CBE: Miolo Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005

Castas Portuguesas

Mais uma vez me atrasei para o post da #CBE. Notem que bebi o vinho no dia certo, mas só tive tempo de escrever e postar hoje, então creio que possa ser considerado como um meio atraso. Como desculpa posso dizer que tardo, mas pelo menos não falho!

O tema desse mês foi escolhido pelos confrades Claudio Werneck e Rafaela Giordano do blog  Le Vin au Blog e era “um vinho especial de sua adega que já esteja pronto para ser aberto”. O desapego para mim não é tarefa fácil (imagino que para outros enófilos também não), pois como parte de meu constante aprendizado, todas garrafas que eu guardo tem planos de serem bebidas após um intervalo que eu, sem muita base, estipulei após provar o vinho. Exemplo: tenho guardada uma garrafa de Chateau Kefraya Le Comte de M 2006, vinho que provei em 2010 e imaginei que seria interessante bebê-lo com dez anos em 2016. Acredito que ele, assim como outros que guardo, já estão prontos para serem bebidos, talvez não no auge, mas prontos, sim. O negócio é que para bebê-los tem todo um planejamento. Depois de muito tempo consegui desapegar dessa garrafa de Miolo Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005, que eu pretendia beber em 2015, com dez anos.

Já bebi desse vinho outras vezes, nunca essa safra 2005, e ele me agrada muito, sendo sempre bem prazeroso no geral. Mas, pelas safras que bebi, não acho que seja um vinho para guardar uns dez anos. Se eu não havia bebido essa safra e considerando que as safras que já bebi desse vinho não me deram motivos para acreditar que ele ganharia com 8 anos de guarda, por que guardei essa garrafa? Resposta simples, a safra de 2005 é até hoje ilustrada como uma das melhores (senão a melhor) safras da história de nossa recente vitivinicultura. Então, sempre que vejo algum vinho brasileiro dessa safra por um preço razoável eu compro. Esse foi um dos poucos que cruzou meu caminho, por isso estava guardadinho, sem que eu fizesse muita ideia do que esperar dele.

O Fortaleza do Seival Castas Portuguesas é elaborado pela Miolo a partir de uvas cultivadas na região da Campanha Gaúcha, leva esse nome por ser elaborado com variedades de uvas comumente utilizadas para produção de vinhos em Portugal, sendo portanto um vinho inusitado, considerando os padrões brasileiros, onde reinam as castas francesas. Hoje o vinho é composto pelo corte de apenas duas uvas, Touriga Nacional e Tinta Roriz (um nome alternativo da Tempranillo) em proporções iguais. Mas, pelo que eu pude averiguar, até essa safra de 2005 ele levava também a Alfrocheiro, que foi retirada do corte pela Miolo a partir da safra 2006.

Na taça já eram notáveis os sinais da idade do vinho, que apresentou coloração rubi escuro com reflexos alaranjados, límpido até o final da garrafa, onde foi possível verificar deposição de sedimentos e o vinho ficou um pouco turvo.

No nariz o vinho demonstra seu tempo de guarda, bem como que ainda está vivo, com elegância, boa intensidade e complexidade. Notas de frutas (ameixa), tomate (achei estranho, mas realmente senti um cheiro de tomate fresco no vinho, enfim, posso estar viajando), noz moscada, pimenta, tabaco, couro e um floral lembrando rosas.

Na boca é elegante assim como seus aromas, os taninos são suaves e muito agradáveis, a acidez ainda bem presente e apimentada, neste vinho com médio corpo, álcool adequado, boa intensidade e persistência razoável, ficando na boca um pouquinho menos do que eu gostaria e esperava. No final de boca foi possível sentir um leve amargor, que não chega a incomodar, sendo bem amenizado pelo conjunto do vinho. A evolução na taça foi espetacular, assim que aberto estava um pouco fechado, depois de duas horas ficou ótimo, pena que nesse ponto ele já estava terminando.

Não tenho muita base para falar sobre envelhecimento de vinhos, ainda me falta muita experiência, mas creio que esse esteja no ponto certo de ser bebido, talvez se esperasse mais dois anos encontraria algo menos prazeroso do que hoje. Se alguém ainda tiver alguma garrafa dessa safra, recomendo abrir e peço que me conte o que achou. Seria possível guardá-lo por mais tempo?

Diversos blogs comentaram sobre esse vinho, alguns deles são confrades da #CBE (safra): Vinho, por favor! (2008), Blog do Jeriel (2008), Vinhos de Corte (2006), Além do Vinho (2008), Agenda de Vinhos (2008), Vivendo Vinhos (2005) e Falando de Vinhos (2005).

Resumo do vinho:

Nome: Miolo Quinta do Seival Castas Portuguesas

Vinícola: Miolo

Região: Campanha Gaúcha – RS, Brasil

Teor alcoólico: 13,5%

Safra: 2005

Uva: 1/3 Touriga Nacional, 1/3 Tinta Roriz (Tempranillo) e 1/3 Alfrocheiro

Preço: não lembro (mas imagino que entre uns 50 a 60 reais)

Comprado em (mês/ano): não lembro

Bebido com (data): Patrícia (01/07/2013)

Nota: 89/100

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9 pensamentos sobre “#CBE: Miolo Quinta do Seival Castas Portuguesas 2005

  1. Confrade! Sou como você e compro tudo que for 2005 do Brasil que encontrar pela frente rsrsrs.
    Belo post, parabéns pelo blog e um abraço.
    Felipe.

    • Pois é Felipe,

      Só que na maioria dos casos o preço é impeditivo.
      Enfim… Quando dá eu compro!
      Pena não encontrar muita coisa, pois todo vinho brasileiro de 2005 que bebi, desde os mais básicos, foram bons.

      Obrigado pela atenção e pelos elogios!
      Abraço,
      Jorge.

  2. Onde nos dias de hoje, eu conseguia duas ou mais garrafas desse magnifico vinho no Rio de Janeiro?

    • Vinícius,

      Se você se refere a esse vinho na safra atualmente comercializada, aqui no Rio, já vi vender em supermercados da rede Zona Sul.
      Agora se você se refere a esta safra… Acho difícil encontrar, talvez nem na própria Miolo no Vale do Vinhedos você consiga comprar.

      Abraço,
      Jorge

  3. Comprei duas garrafas safra 2005 (as últimas) por meros R$ 19,90 cada (o código de barras estava fora do sistema e o encarregado que conhece pouco chutou um preço. Conheço muito pouco de vinho, sou apreciador iniciante, mas pelo que pude notar a sua descrição fecha bem como o produto adquirido.
    Abraço.

    • Marcelo,

      Deu sorte hein!
      Já bebeu alguma delas? Como estava o vinho?

      Ano passado quando eu bebi essa daqui fiquei com a impressão do vinho está no auge, o que acho que ele suportaria mais um ou dois anos.

      Abraço,
      Jorge

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