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Estranho: Tsantali Retsina

Tsantali Retsina

(OBS: foto de divulgação da vinícola)

Definitivamente o vinho mais estranho e diferente que eu já bebi. Sempre tive a curiosidade de experimentar um Retsina, mas nunca arrisquei pagar em torno de R$ 50,00 pela garrafa, eis que no Carrefour encontrei esse Tsantali por menos de R$ 25,00 (não lembro o preço exatamente).

A Tsantali é uma das gigantes do vinho grego, produzindo e exportando para diversas partes do mundo grande quantidade da bebida. O Retsina é um vinho grego bastante típico e famoso, deriva de técnica para preservação do vinho utilizada na antiguidade, onde as ânforas eram lacradas com resina de pinheiro, a qual acabava entrando em contanto com a bebida. Esperava que o vinho fosse um branco onde notas florais e frutadas se misturassem a um tempero especial de resina de pinheiro, mas não foi bem assim, a resina predomina muito, tanto no aroma, quanto no paladar. Abri o vinho com a Patrícia (minha namorada), mas ela não conseguiu beber, acabei tendo que abrir outra garrafa com ela e terminar de beber essa com meu amigo Alexandre, que não possui preconceitos nem restrições quanto a degustar novos e diferentes vinhos (e outras bebidas também).

No visual nada de diferente, um vinho bastante límpido e transparente e com uma cor clara, amarelo palha com reflexos esverdeados, me arrisco dizer.

No olfato começam as estranhezas, bem aromático, predomina no vinho a resina de pinheiro, acredito que qualquer um que já tenha lidado com resina de pinus em algum momento da vida, vai associar o aroma de cara. O aroma bastante herbáceo também lembra menta, há um cheiro de terebentina (que é um dos componentes da resina de pinus) desinfetante e sabão. Tentando esquecer a resina e perceber outro tipo de aroma, bem de leve acredito ter sentido algo floral e só.

Na boca é mais pinheiro, aparecendo algo cítrico, talvez de casca de limão combinando acidez com amargor, sendo bem seco, acidez mediana e com um certo amargor.

Enfim um vinho diferente e que achei bem difícil de avaliar, por isso prefiro não lhe conferir uma nota no final. Para quem gosta de novas experiencias no mundo dos vinhos, de provar de tudo, eu recomendo. Para quem é mais tradicional, acho melhor não comprar.

O que outros blogueiros acharam desse vinho: Mundo Vitis e Vinhão,

Resumo do vinho:

Vinícola: Tsantali Vineyards & Wineries (http://www.tsantali.gr/)

Região: Grécia

Teor alcoólico: 11,5%

Safra: sem safra

Uva: Roditis e Savatiano

Preço: +/- R$ 23,00 (não lembro exatamente o preço)

Comprado em: Carrefour

Importadora: Lph Brasil (http://www.lphbrasil.com.br/)

Bebido com e em: Patrícia (15/03/2013) e Alexandre (17/03/2013)

Nota: sem nota.

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11 pensamentos sobre “Estranho: Tsantali Retsina

  1. Pingback: Interessante: Tsantali Rapsani 2009 | Contando Vinhos

  2. Não sou conhecedora mas adoro experimentar novos vinhos. Hoje bebi um Tsantali – Limnio+Merlot, com pene ao Pesto. Achei muito bom. Nao estava gelado. Não conheço a Limnio, queria informações. Esse vinho foi comprado no Carrefour em dez/2011. A safra é de 2008. Custou em torno de R$ 20. Obrigada.
    Luzia Amaral

    • Luzia,

      Também não sou conhecedor, apenas um apreciador como você.
      Não conheço a Limnio, nunca bebi nenhum vinho desta uva. Os vinhos gregos aqui no Brasil sempre foram muito caros, até o Carrefour começar a vender os da Tsantali. Todos que experimentei até agora foram ótimos custo-benefício, além do Retsina, comentei aqui no blog o Rapsani
      Esse vinho que você mencionou, já comprei ele, só falta beber. Em breve será comentado aqui no blog.
      Com relação a uva, pelo que pude pesquisar, consiste em uma variedade cultivada a mais de 2000 anos na Grécia, acredita-se que seja equivalente a uva denominada antigamente como Lemnia, cujos vinhos foram mencionados nos escritos de famosos filósofos gregos como Aristóteles e Hesíodo.
      Hoje é cultivada principalmente na região de Halkidiki, sendo geralmente utilizada em cortes com variedades francesas, como no caso do vinho que você bebeu. Pode gerar vinhos varietais de boa qualidade, encorpados e de alto teor alcoólico, com notas vegetais e minerais.
      Achei informação sobre a uva em alguns sites, todos em inglês, que cito logo abaixo.
      http://en.wikipedia.org/wiki/Limnio
      http://www.greekwine.biz/Limnio-Greek-grape-information.html
      http://www.winemakingtalk.com/grapes/limnio.html

      Espero ter ajudado!
      Abraço.

      • Obrigado pela atenção. E pelas dicas dos links que vou ver depois. Também aguardo sua avaliação. Gostei muito desse vinho e na próxima ida ao Carrefour trarei outra garrafa e também do Retsina. Fiquei curiosa pois gosto de bebidas ácidas.
        Abraço
        Luzia Amaral

  3. Quem conhece e já consumiu pútegas, sim pútegas, achará o “RETSINA” uma delícia. Só pelo valor que possui a nível da história da enologia, deverá ser menos penalizado. Já bebi soluções hidro-alcoólicas muito piores, mas muito enaltecidas por alguns que se consideram críticos de vinho. Que falam de mirtílios sem nunca terem visto/desgustado esta baga, de aromas tabaco sem saber do que estão a falar, por que nunca contactaram com as folhas de tabaco à saída da estufa de secagem. O vinho faz parte da história da humanidade. O que seria para os cristãos a consubstancialização em sangue de Jesus Cristo sem vinho? Como é que os romanos festejariam as victórias e apagariam as mágoas das derrotas? O vinho é vinho, “mai nada”.

    • João,
      Nunca consumi pútegas, fiquei conhecendo agora no seu comentário.
      Gostei do seu comentário. Concordo que o Retsina merece respeito pelo que representa e pela sua importância na história do vinho. Achei super interessante beber esse e, tendo a oportunidade, beberia outro exemplar sem dúvidas. Agora, é uma coisa muito diferente de tudo, acredito não ser para qualquer paladar.
      Concordo também que a crítica especializada as vezes “viaja”, mas também acho que tem muita gente boa, com conteúdos são bem legais.
      E por último, concordo que o vinho é vinho e sua “mistificação” não é coisa muito plausível.

      Abraço,
      Jorge.

  4. Pingback: Degustação de vinhos da Tsantali – Grécia | Contando Vinhos

  5. Conheci os vinhos retzina no começo da década de 1990 quando houve alguma importação dos mesmos, aqui no Brasil. Eram baratos! Conheci ao acaso e ao provar tive um impacto negativo igual ao seu. Entretanto, a partir do segundo copo passei a ser um “apaixonado” dos retzina e de seu “amargor”. Pode até ter sido pelo peso histórico. Depois fiz turismo na Grécia, naturalmente por vários motivos mas, entre outros, para beber um retzina in loco – foi decepcionante por ter sido um retzina “tinto” em local para turistas otários. Agora, é bom saber – na Grécia os gregos pedem um vinho ou uma “retzina”, assim como no Brasil pedíamos uma determinada marca de cerveja mesmo quando queríamos beber a cerveja da concorrência. E é isto que o retzina é: não é exatamente “um vinho” mas, “outra bebida” a ser consumida gelada no final da tarde. (Opinião minha!) Nos anos 90 houve um fabricante que “abrandou” o gosto da resina para atingir nossos paladares (e de outros países). Mas depois, saiu do mercado e eu passei 20 anos buscando em importadoras e lojas uma retzina. Agora com a crise grega eis que eles estão aí de novo. Neste fim de semana viajarei 400 Km até o Carrefour mais próximo de minha casa. Aleluia! Ah! E diz para sua namorada tentar outra vez. Afinal, a todos conhecidos que apresentei o retzina acabaram conseguindo apreciá-lo – por que não?

  6. Inacreditável. Neste terça-feira, num giro, aleatório, pelo Carrefour da minha João Pessoa, vi um vinho branco grego, por R$ 9,95. Logo imaginei as bolachas champanhe molhadas nele, e foi com essa intenção que comprei um Tsantali Retsina. Ao abri-lo, na rolha datava 2011. Porém antes de mergulhar a bolacha, veio um aroma misterioso, logo imaginei que era por causa da idade avançada. Aí resolvi prová-lo, a surpresa foi imediata. Nunca provei nada igual, um buquê marítimo? Um sabor picante? Algo extra-ordinário. Deixei as bolachas para outro vinho. No dia seguinte retornei no Carrefour decidido: comprei mais duas garrafas.

    • Júlio,

      O Retsina é um estilo de vinho muito interessante e diferente, é difícil conhecer alguém que goste dele de primeira. Curioso o seu caso! Curioso também o preço que você pagou na garrafa, pouco menos que 10 reais, tá valendo e muito! Eu teria comprado algumas garrafas.
      Experimente misturar 1/3 deste Retsina com 2/3 de Sprite, o resultado é um delicioso drink muito apreciado pelos gregos e do qual também sou fã, extremamente refrescante para o verão.

      Abraço,
      Jorge.

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