Encontro Mistral 2014 – RJ

Encontro Mistral

Estou com uma fila de posts para publicar e em geral tenho tempo apenas nos fins de semana ou de nos finais de tarde / noite para dedicar ao blog. Por isso tenho atrasado meus comentários sobre eventos e vinhos que já bebi.

Hoje falarei do Encontro Mistral 2014 que ocorreu no Rio de Janeiro há quase um mês, dia 09/05/2014, no Hotel Sofitel Rio, em Copacabana. Além do Rio de Janeiro o evento também aconteceu durante os dias 5, 6 e 7/05/2014 em São Paulo.

Como devo estar sendo o último ou um dos últimos a comentar sobre o evento, resolvi fazer algo diferente, listei abaixo tudo que encontrei escrito sobre o encontro em blogs e sites e vou procurar comentar aqui apenas sobre vinhos e produtores que me chamaram atenção e foram menos comentados pelos colegas.

O que encontrei sobre o Encontro Mistral 2014 em blogs e sites (em ordem alfabética):

BebadoVinho; Blog do Jeriel (link I e link II); Didu Russo (link I e link II); Falando de Vinhos; In Vino VeritasLaboratório de Sommelier; MondoVinhoO Mundo dos Vinhos (Istoé); Paladar (Estadão); Vinho Bão; Vinho & Arte; e Vivendo a Vida.

Gostaria de fazer apenas uma observação sobre o evento, além de parabenizar a equipe da importadora Mistral pela primorosa organização dele, somente um dia no Rio de Janeiro não é o suficiente. Não sei dizer o porquê dessa estratégia de 3 dias em São Paulo e apenas um no Rio, mas em um dia não dá para visitar nem 1/4 dos produtores presentes.

Em todos os produtores que passei bebi toda a série de vinhos que havia para degustação, para não estender muito o post e por não ter anotação sobre todos os vinhos vou comentar apenas os dois que me chamaram mais atenção de cada produtor:

Vie de Romans

Vie di Romans: vinícola italiana da região do Friuli que tem acumulados nada menos que 23 “tre bicchieri” da revista italiana Gambero Rosso, que também a considera como uma das mais importantes vinícolas da Itália. Os vinhedos são orgânicos e conforme a vocação da região o foco da produção está nos vinhos brancos.

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Vie di Romans Chardonnay 2010: apresentou cor amarelo palha, aromas bastante intensos para um Chardonnay, que também eram complexos e estilosos, lembrando abacaxi, nectarina, baunilha e cedro. Na boca era encorpado, untuoso, com acidez suficiente para manter ótimo frescor, frente ao seu volume de boca. Era também bem macio e equilibrado, com persistência longa.

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Vie di Romas Maurus 2008: embora eu tenha provado excelentes brancos nesse produtor, o estilo desse Merlot me chamou atenção. Cor vermelho rubi. Nariz elegante e de certa complexidade, sugerindo cereja, romã, menta e baunilha. Na boca tinha boa estrutura, elegância e equilíbrio, um vinho de médio corpo, boa acidez e taninos macios.

Martinborough

 

Martinborough Vineyard: famosa por seus vinhos elaborados com a Pinot Noir a vinícola foi a primeira da região a plantar essa casta, possuindo os mais velhos vinhedos de Pinot Noir no distrito de South Wairarapa, onde se localiza a cidade de Martinborough reputada por dar origem aos melhores Pinot Noir da Nova Zelândia.

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Martinborough Te Tera Pinot Noir 2010: cor vermelho cereja intenso e um tanto escuro para um Pinot. Nariz de boa complexidade e intensidade, lembrando goiaba, terra e pimenta verde. Na boca médio corpo, taninos finos, equilíbrio e maciez, com ótima acidez proporcionando ligeira sensação apimentada ao paladar.

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Martinborough Vineyard Pinot Noir 2009: cor vermelho cereja profundo, também escuro para um Pinot. Aromas bem complexos e agradáveis, sugeriam goiaba, morango, terra, iogurte, pimenta e folha de tomateiro. Na boca era bem macio e equilibrado, com taninos finíssimos, forte e gostosa acidez e um toque mineral de bastante estilo.

Gaia Wines

Gaia Estate: os vinhos gregos sempre me pegam em cheio! Eu não poderia deixar de mencionar os vinhos da Gaia, a maioria deles eu provei pela primeira vez, embora tenha visitado a vinícola quando estive na Grécia ano passado (confira aqui).

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Assyrtiko by Gaia Wild Ferment 2012: varietal da uva branca Assyrtiko, produzido em Santorini e fermentado com as leveduras naturais, parte em tanques de Inox e parte em barricas. Resultado é um vinho de cor amarelo pálido e com nariz discreto bem cítrico e mineral. Na boca é que ele aparece sem discrição, sendo potente, encorpado e com bastante acidez, mantendo também ótimo frescor.

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Agiorgitiko by Gaia 2011: produzido com a uva Agiorgitiko, na região de Nemea é um vinho que merece destaque, com cor vermelho rubi e aromas intensos que lembraram muito romã, além de pimenta do reino e algo floral. Na boca tinha delicadeza e estilo, um vinho equilibrado, de médio corpo, ótima acidez e taninos finos.

 

Dalessandro

Tenimenti Luigi d’Alessandro: produtor italiano da Toscana, localizado na DOC Cortona, a única DOC italiana exclusiva para a uva Syrah, criada graças aos vinhos elaborados por essa vinícola, colocados por muitos críticos entre os melhores Syrah do mundo.

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Luigi D’Alessandro Vecchievigne Borgo Syrah 2010: bela e profunda cor vermelho violeta. Aromas de certa complexidade e interessantes, sugeriam ameixa, um intrigante floral, chocolate e pimenta do reino. Na boca tinha bastante estrutura, encorpado, com boa acidez e taninos fortes, isso mantendo de uma forma difícil de explicar ótima maciez no paladar.

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Luigi D’Alessandro Migliara Syrah 2008: mais um vinho de profunda cor vermelho violeta. No nariz era complexo e elegante, lembrava ameixa, menta, chocolate e pimenta do reino. Na boca, assim como o anterior, combinava muita potência e estrutura, com grande maciez. Muito encorpado e delicioso, um vinho ainda muito novo, interessante pensar como ele ficará daqui há uns anos.

Resumo do evento:

Nome: Encontro Mistral 2014 (Rio de Janeiro)

Local: Hotel Sofitel, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ

Organização: Mistral

Data (horário): 09/05/14 (das 17:00 às 22:00 horas)

Com quem: Sozinho

Preço: R$ 290,00

Tetramythos Retsina

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Esse vinho merece comentários mais detalhados. Um dos poucos exemplos de Retsina elaborado visando qualidade superior.

Retsina é um estilo de vinho branco típico da Grécia, no qual durante a fermentação é acrescentada ao vinho resina de pinheiro. Costume que deriva de uma prática para a conservação do vinho na antiguidade, onde por falta de melhor tecnologia, os vinhos eram guardados em ânforas de barro nas quais a tampa era lacrada com resina de pinheiro, para evitar a oxidação. A resina de pinheiro entrava em contato com o vinho e alterava o seu sabor, o que até hoje é apreciado na Grécia.

Via de regra o Retsina é feito em grandes quantidades e para ser vendido bem barato, sem muito foco em sua qualidade. Não é o caso deste. Fermentado apenas com leveduras nativas, durante dois meses e em contato com as cascas (sur lie), sendo que parte do vinho (cerca de 40%) fermenta em ânforas de barro, o Tetramythos Retsina é elaborado a partir da uva grega Roditis cultivada em vinhedos orgânicos e a resina de pinheiro misturada ao vinho na fermentação é extraída de árvores localizadas nas margens do próprio vinhedo.

Na taça apresentou cor amarelo pálido, límpido e transparente.

No nariz era bem intenso e com certa complexidade, sendo que a resina não dominava, sentia-se aromas cítricos e florais em harmonia com os de resina de pinheiro (vegetais e químicos).

Na boca mais uma vez a resina não é predominante, entra mais como um tempero, abrindo campo para notas cítricas, vegetais, minerais e um leve e gostoso apimentado. Um vinho ao mesmo tempo leve e com bom volume em boca, refrescante e com deliciosa acidez, bem fácil e prazeroso de beber. Persistência muito boa.

Esse Retsina, dentre todos que eu já provei, é para mim o auge do gênero, sendo na verdade um típico e ótimo vinho branco da uva grega Roditis que mantem perfeitamente suas características ao ser combinado com a resina de pinheiro, ganhando novos aromas e gostos, além de maior presença e volume na boca. Um vinho único, diferente e muito bom! Pena que para beber ele de novo só indo buscar outra garrafa na Grécia.

Harmonização perfeita com lombo de porco assado no azeite e orégano.

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Resumo do vinho:

Nome: Tetramythos Retsina

Vinícola: Tetramythos

Região: Achaia, Peloponeso, Grécia

Teor alcoólico: 13%

Safra: sem safra

Uva: Roditis

Preço: ganhamos de presente na vinícola

Comprado em (mês/ano): na própria vinícola (08/13)

Importador: infelizmente sem importador para o Brasil

Bebido com (data): Patrícia (26/04/2014)

Nota: 4,5 em 5 pontos.

Boutari Naoussa 2006

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Naousa é para mim um vinho estiloso. E estiloso de uma forma que me agrada bastante. Esbarrei com esse da Boutari por um preço que julguei ser legal e comprei. O vinho estava assim:

Na taça já demonstrava sua idade com coloração vermelho alaranjado e halo bastante evidente.

Aromas complexos e diferentes, também evoluído e com leve toque de oxidação, lembrava cereja, chá preto, caramelo e canela.

Na boca tinha médio corpo e estranho equilíbrio entre a acidez bem presente e os taninos firmes e maturados. No paladar se apresentou com bastante especiaria (pimenta, canela e chá preto) com algo de terra. A evolução na taça seguiu por bom tempo e foi bem interessante. A persistência era muito boa.

Sem dúvidas um vinho evoluído e estiloso. Provei a safra 2008 desse vinho na Grécia e tirando por ela, achei que esse ainda fosse estar mais robusto, não estava. Estava era bem macio (considerando que é um Naousa) e notavelmente maturado. Atendeu ao meu desejo já de algum tempo de provar um Naousa com essas características. Agora queria era provar um Naousa top com uns 15 a 20 anos, quem sabe um dia!

Esbarrando com esse vinho nessa faixa de preço (50 a 70 reais), se você for do tipo que gosta de experimentar coisas diferentes e ou já conhece e aprecia vinhos dessa região, pode ir que tá valendo!

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Resumo do vinho:

Nome: Boutari Naoussa

Vinícola: Boutari

Região: Naoussa, Grécia

Teor alcoólico: 13%

Safra: 2006

Uva: Xinomavro

Preço: R$ 64,00

Comprado em (mês/ano): Cavist (03/14)

Importador: Vinci

Bebido com (data): Patrícia e Marcão (06/04/2014)

Nota: 4 em 5 pontos.

Gaia Estate Thalassitis Oak Fermented 2007

Gaia Thalassitis

Vinho digno de pegadinha pra cima do Cesar da Mondovino e foi utilizado exatamente com esse propósito. Eu trouxe ele de minha visita a Gaia em Santorini e estava com medo de ele não aguentar mais muito tempo guardado, queria bebê-lo logo. Como já falei da vinícola aqui no blog, vou direto ao vinho:

Na taça bela cor dourado pálido, bem límpido e transparente.

No nariz era diferente e interessante, com boa complexidade sugerindo damasco seco, compota de laranja, amêndoas e algo mineral.

Na boca tinha bom volume, muita mineralidade e acidez ainda bastante presente, mantendo grande frescor, tudo que se espera de um Assyrtiko de Santorini, mesmo com quase 7 anos de idade. No paladar chegava a deixar uma sensação meio salgada, era bem mineral, com algo cítrico, talvez de laranja. A persistência era longa e a evolução na taça foi excelente.

Eu tinha provado esse vinho quando visitei a Gaia de duas safras uma era 2012 e a outra esse 2007, me impressionei como ele encarou bem o tempo e trouxe essa garrafa. Não sei se continuaria evoluindo, talvez sim, mas estava tão bom bebê-lo, que realmente não faria sentido esperar mais!

OBS: esse vinho foi apresentado às cegas e o Cesar não acertou do que se tratava (Aha!).

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Resumo do vinho:

Nome: Gaia Estate Thalassitis Oak Fermented

Vinícola: Gaia Estate

Região: Santorini, Grécia

Teor alcoólico: 13,5%

Safra: 2007

Uva: Assyrtiko

Preço: não lembro ao certo, em torno de uns € 15,00

Comprado em (mês/ano): na própria vinícola (08/13)

Importador: a Mistral traz os vinhos da Gaia para o Brasil

Bebido com (data): Patrícia, Cesar e Dardeau (02/04/2014)

Nota: 4,5 em 5 pontos.

Tsantali Naousa Reserva 2009

 

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Um dos vinhos que eu estava devendo:

Cor rubi claro, límpida e transparente.

Nariz complexo e interessante, sugeria amora, rosas e caramelo.

Na boca era encorpado, com gostosa acidez e taninos fortes e agradáveis. Um vinho estruturado e com interessante equilíbrio considerando a acidez e os taninos intensos. O paladar era bem frutado, também lembrando café e tabaco. A persistência era longa.

É comum ver comparações da uva Xinomavro com a Nebbiolo e realmente esse vinho possuía semelhanças com o Barolo que bebemos nesse mesmo almoço, mais do que isso, ele fez frente ao Barolo, impressionante. É um vinho de excelente custo benefício, custa em torno de 70 reais e pode ser comparado com coisa bem mais cara. Creio que seja um estilo de vinho que não vai agradar a qualquer um, por ser tânico e ácido, para mim estava ótimo!

Fico cada vez mais curioso de provar um Naousa de uma safra antiga.

Resumo do vinho:

Nome: Tsantali Naousa Reserva

Vinícola: Tsantali

Região: Naousa, Grécia

Teor alcoólico: 13%

Safra: 2009

Uva: Xinomavro

Preço: R$ 72,00

Comprado em (mês/ano): Mondovino (02/14)

Importador: Freeway Ecommerce

Bebido com (data): Alexandre, Marco, Eveline e Michel (16/02/2014)

Nota: 4,5 em 5 pontos.